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Como não refletir ódio e construir a cultura de paz

Como não refletir ódio e construir a cultura de paz

O mundo está tomado de ódio. As redes sociais são um reflexo dele e uma ferramenta que deixou as pessoas mais à vontade para jogar no outro suas frustrações, infelicidade, ódio. Críticas, desaprovação, xingamentos e intolerância fazem parte de qualquer debate na internet, onde não é preciso mostrar o rosto ou estar cara-cara com o outro. Quase uma terra sem lei. É covarde, com toda certeza. Mas é o que está acontecendo, o que estamos vendo crescer cada dia mais no universo online. Vozes múltiplas gritam, mas ninguém se escuta. Não há diálogo.

“A inimizade pode ser tão cordial quanto a amizade”
Sérgio Buarque de Holanda

Que os ânimos estejam exaltados em torno de debates políticos, é mais compreensível. Que o brasileiro é cordial, ou seja, impulsivo, e tende a agir tomado pelas emoções, nós já sabemos. Mas como explicar tanto discurso de ódio, tanta raiva direcionada ao próximo, que transcendem a barreira do político e até mesmo do humano? É ódio contra o corpo, contra a forma física, raça, religião, contra crianças especiais. Sim, contra criança e adultos com deficiência lá vemos o ódio agindo. Gratuito. É muito ódio.

Ninguém está satisfeito e todos parecem ser obrigados a darem sua opinião acerca de tudo, especialmente quando esta “opinião” é negativa, ofensiva, crítica. Mas, ao contrário do que podemos ser levados à pensar, o ódio não nasceu com as redes sociais. Pelo contrário, a biografia humana é uma história cheia de ódio, genocídios, conquistas, sangue e muita intolerância com relação ao outro. Mas sem dúvida as redes sociais e a internet criaram um ambiente de privilégio para quem odeia, pois ali eles podem ser covardes, caluniar, ofender, destruir vidas inteiras sem que sofram as consequências se tivessem coragem de falar os mesmos absurdos virtuais, mas ao vivo.

“O inferno são os outros”
Sarte

Mas o que torna o outro nosso inimigo? E qual a nossa participação na construção de todo esse ódio?

Cultura de Paz: o primeiro passo para superar o ódio

Contrariando a frase de Sartre, uma obra importantíssima para refletirmos sobre o ódio presente na sociedade atual e qual a nossa responsabilidade sobre ele é o livro O Inferno Somos Nós – Do Ódio à Cultura de Paz, escrito pelo historiador Leandro Karnal e pela Monja Coen, monja zen budista. Em forma de diálogo, eles conversam sobre como podemos olhar para nós mesmos, nos responsabilizar, evoluir e construir uma cultura de paz.

Eles colocam o medo como criador da violência, o medo do desconhecido, do outro. Então, somente o conhecimento pode nos libertar da agressividade e do fardo de sermos uma sociedade tão opressora. Entender que o que é diferente não deve ser temido e sim aceito, que devemos aprender com a diversidade, compreender sobre nós mesmos, nossa condição humana e sobre como viver em harmonia e igualdade.

Perceber em qual parte nós mesmos estamos colaboramos com a cultura do ódio é o primeiro passo para começarmos a desconstrução necessária para solidificar a cultura da paz. Um dos pontos interessantes colocados no livro é o ódio em nome do bem: quando tentamos fazer o bem em nome de um sociedade melhor, eu posso estar escondendo coisas terríveis, porque esse ódio é virtuoso e não assumido e que nos leva a demonizar o outro. Ele nos coloca como protagonista do bem na sociedade, colocando o outro na posição de errado, daquele que precisa ser conduzido. Como exemplo, temos milhares de passagens históricas onde o ódio em nome do bem causou e causa ainda a destruição do outro. Na Venezuela, certamente os governantes e seus apoiadores entendem que estão lutando para a construção de um país mais justo, contribuindo para o fim da pobreza, porém, em nome desse ideal, estão matando o povo de fome. Hitler também é um grande exemplo, prometendo a elevação moral e financeira da nação terminou com a morte de mais de 12 milhões de minorias étnicas, onde mais de 6 milhões eram judeus. Na inquisição, o lema era misericórdia e justiça e nem precisamos dizer que durante os mais de mil anos que existiu, o que menos promoveu foi justiça ou misericórdia.

Somos parte do ódio e perceber isso é o primeiro passo para iniciarmos as reflexões que nos levam a parar de refletir o ódio e alimentá-lo.


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Empatia – o passo dois

Sem dúvida a empatia é o único caminho para construir uma estabilidade social, que faz com que o outro não seja um inimigo e sim alvo de nossa compaixão. A identificação do outro como humano, diverso e digno de tolerância é o movimento que naturalmente combate o ódio e a intolerância. Aceitar o outro em toda sua integridade, escolhas, forma de amar, nacionalidade, credo, orientação ideológica dentre outras características é essencial. Perceber que jamais devemos esperar ou exigir do outro que seja como nós entendemos como correto, que atenda às nossas expectativas, faz com que sejamos mais capazes de superar nosso ódio.

“Ame ao próximo como a ti mesmo”
Jesus

Da visão espiritual, é ainda mais fácil perceber que o amor é a única saída para a evolução do mundo. Nem todos estão no mesmo grau evolutivo que nós, no mesmo pedaço da caminhada espiritual, nem por isso são inimigos. Se você já aprendeu algo que o outro não aprendeu, o melhor a fazer ao invés de julgar é ajudá-lo transcender as dificuldades com amor. E nem sempre é possível, nem sempre o outro está preparado e cada um tem o seu momento. Saber respeitar isso também demonstra evolução espiritual.

Não existe verdade absoluta, que tudo depende do ponto de vista.


Empatia pode ser aprendida?

Sim. Algumas pessoas já nascem com essa capacidade, porém, o meio em que vivem também pode estimular – ou não- a empatia pelo próximo. A habilidade de se colocar no lugar do outro deveria ser prioridade na criação dos filhos, tema de doutrinação religiosa e matéria escolar, pois estes são os ambientes onde absorvemos desde a infância até a fase adulta os valores que vão construir nosso caráter e esquema psicológico. O exercício da empatia passa pelo autoconhecimento, pois, para que seja possível compreender a emoção do outro, é preciso conhecer e entender o que se passa dentro de nós mesmos.

“A mudança é difícil. Não mudar é fatal”
Leandro Karnal

O sentimento de compaixão pela dor do outro beneficia ao outro, mas também faz muito bem à quem sente. Estudos mostram que pessoas que possuem a capacidade de solidarizar com as mazelas externas a si próprias têm mais chances de sucesso na carreira e vida pessoal. Até a saúde é afetada, pois uma pessoa empática sente mais amor e menos stress, prejudicando menos seu sistema imunológico e físico de maneira geral. Encaram a vida de forma mais leve, esperam menos dos outros e, por consequência, sofrem menos também e se frustram com menor intensidade.


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Empatia e a cultura de paz podem salvar o mundo

“Gentileza gera gentileza”
Profeta Gentileza

É urgente que a empatia seja estimulada, valorizada e aprendida, Dela, depende a continuidade da raça humana e da vida na Terra. Se olharmos para o cenário político mundial, veremos que a iminência de uma guerra nuclear é altíssima. Constatamos também que um número assustador de mortes e conflitos ainda existem e levam muitas vidas de forma violenta, o que poderia ser impedido se as pessoas e os líderes religiosos e políticos tivessem um pouco mais de empatia, e respeito pela diversidade. Ainda existem países em guerra. GUERRA.

Se a humanidade estivesse também presente nos valores capitalistas, se as empresas considerassem que a vida humana tem valor maior que o capital, muita coisa poderia ser diferente e muito sofrimento seria evitado. Ódio só gera mais ódio, enquanto o amor gera ainda mais amor.


Se não der para ser amor, seja pelo menos respeito

Por fim, fica aqui um cordel de Bráulio Bessa sobre a diversidade que é de arrepiar e encher o coração de amor!

Seja menos preconceito, seja mais amor no peito
Seja Amor, seja muito mais amor.
E se mesmo assim for difícil ser
Não precisa ser perfeito
Se não der pra ser amor, que seja pelo menos respeito.
Há quem nasceu pra julgar
É há quem nasceu pra amar
E não é difícil entender em qual lado a gente está
Que o lado certo é amar!
Amar pra respeitar
Amar para tolerar
Amar para compreender,
Que ninguém tem o dever de ser igual a você!
O amor meu povo,
O amor é a própria cura, remédio pra qualquer mal.
Cura o amado e quem ama
O diferente e o igual
Talvez seja essa a verdade
Que é pela a anormalidade que todo amor é normal.
Não é estranho ser negro, o estranho é ser racista.
Não é estranho ser pobre, o estranho é ser elitista.
O índio não é estranho, estranho é o desmatamento.
Estranho é ser rico em grana, e pobre de sentimento.
Não é estranho ser gay, estranho é ser homofóbico.
Nem meu sotaque é estranho, estranho é ser xenofóbico.
Meu corpo não é estranho, estranho é a escravidão que aprisiona seus olhos na grade de um padrão.
Minha fé não é estranha, estranho é a acusação, que acusa inclusive quem não tem religião.
O mundo sim é estranho, que com tanta diversidade
Ainda não aprendeu a viver em igualdade.
Entender que nós estamos
Percorrendo a mesma estrada.
Pretos, brancos, coloridos
Em uma só caminhada
Não carece divisão por raça, religião
Nem por sotaque
Oxente!
Sejam homem ou mulher
Você só é o que é
Por também ser diferente.
Por isso minha poesia, que sai aqui do meu peito
Diz aqui que a diferença nunca foi nenhum defeito.
Eu reforço esse clamor:
Se não der pra ser amor, que seja ao menos RESPEITO.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.