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Os autoescolhidos e o caminho para o paraíso

Os autoescolhidos e o caminho para o paraíso

A salvação é um tema recorrente da humanidade, especialmente após o aparecimento das religiões, que relacionam a fé com a salvação espiritual. O problema é que você só é salvo se conseguir acertar qual é a religião certa, caso contrário, será punido. Em algumas doutrinas, o castigo será eterno e sem chance de redenção. Por isso, o temor da negação do paraíso é o que sustenta as igrejas, inclusive financeiramente.

Infelizmente, algumas vertentes do cristianismo, por exemplo, induzem os fiéis a pensarem que é possível comprar um lugar no céu. Quanto mais dinheiro você der a célula que frequenta, mais Deus vai gostar de você.

Será mesmo que existe salvação? Se sim, como ser salvo?

O inferno

De início, é importante dizer que o inferno não é uma constante em todas as religiões. Pelo contrário, ele é uma concepção cristã, ou melhor, das religiões tradicionais nascidas do cristianismo. Na cosmologia budista, por exemplo, não existe um inferno como o cristão: o inferno não é um lugar de permanência eterna e a permanência nele não é o resultado de um castigo divino; os seres que habitam o inferno libertam-se dele assim que o mau carma que os conduziu até ali, se esgota. Logo, o conceito de salvação budista é muito diferente do que aprendemos desde que nascemos na igreja cristã.

“Se Allan Kardec tivesse escrito que “fora do espiritismo não há salvação”, eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu “fora da caridade”, ou seja, fora do amor não há salvação”
Chico Xavier

E não acreditar no inferno eterno não invalida os preciosos ensinamentos católicos, especialmente aqueles professados por Jesus. A bíblia é um texto sagrado, profundo, de extrema importância para quem deseja compreender um pouco mais sobre Deus e especialmente sobre Jesus. Mas não é preciso levar tudo ao pé da letra para aprender, aliás, se libertar das palavras eternizadas pelos dogmas religiosos é um dos segredos da expansão da consciência.

Reflita: como um Deus, totalmente misericordioso e benevolente, que nos oferece amor incondicional, pode castigar ao inferno eterno quem professa uma religião diferente da cristã? Teria Deus enviado um salvador somente para metade do mundo, deixando de fora do paraíso os budistas e hindus, por exemplo? Que sentido faria a existência de um Deus que, mesmo amando incondicionalmente seus filhos, dá a eles apenas uma chance de acerto e condena, eternamente ao inferno, quem comete erros? A chance de reparação dos erros é uma lógica na qual Deus se expressa, ideia que é deixada de lado pela religião. A não ser que você se arrependa de seus erros antes de morrer e aceite Jesus. O que denuncia o caráter conquistador da igreja, que se preocupa mais com poder do que com a verdadeira espiritualidade.

Nesse sentido, podemos já de cara abandonar a ideia de que seremos salvos de acordo com a religião que professamos, se ajudamos a sustentar financeiramente a igreja para irmos, mais sinceramente, de encontro aos verdadeiros valores espirituais.


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Apocalipse

A ideia de salvação está muito ligada ao fim dos tempos, um evento esperado por milênios, mas que, até hoje, ainda não dá indícios de acontecer. Segundo a religião cristã, os mortos dormem até que o apocalipse aconteça, que é quando serão julgados e salvos ou condenados. Uma ressurreição dos mortos é esperada, para que eles sejam direcionados para a vida eterna ao lado do Pai Celestial.

É neste momento que se daria a salvação, pois, após o julgamento divino, ou vamos para o inferno ou para o paraíso. O engraçado é que precisamos de nossos corpos para isso, uma ideia que não faz muito sentido. Somos espíritos e nosso corpo perece totalmente após a nossa partida. Também é equivocada a ideia de que permanecemos dormindo até que toquem as trombetas do apocalipse, pois os fenômenos espirituais provam que os espíritos, estes sim, permanecem vivos após a morte e que, inclusive, a comunicação com eles é uma realidade.

“E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor. Pois já as primeiras coisas são passadas”
Apocalipse 21:4

Por isso, a ideia de salvação também não está atrelada ao fim dos tempos, e se vamos para um local bom ou ruim após a nossa morte não depende do fim da vida na Terra. Podemos e devemos pensar além disso.


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Após a morte

O fato de provavelmente não existir um inferno tradicional, cheio de fogo e governado pelo diabo, não significa que a reparação dos erros dos espíritos mais primitivos e trevosos não seja dura. O umbral é um lugar terrível, e podemos chamá-lo de inferno. Mas, assim como na gênese budista, o umbral não é eterno e sim um lugar de passagem, onde os espíritos entorpecidos pelo mal e tomados pela ilusão da matéria permanecem, até que consigam perceber a luz e seguir seu caminho evolutivo em direção a ela.

Vale lembrar que o umbral é, grosso modo, uma dimensão. Mas não fica em “outro lugar”, pelo contrário, ele coexiste com nosso mundo material. Apenas tem uma densidade de matéria mais sutil, por isso não conseguimos enxergar a menos que sejamos médiuns clarividentes. E não é só o umbral, nome dado pelos espíritas, que pode ser ruim aos olhos de quem espera pelo paraíso. Existem outras dimensões, o que significa que, dependendo dos nossos atos, somos atraídos para o local mais adequado de acordo com nossa evolução espiritual. É a nossa vibração espiritual, a nossa consciência e o grau de evolução que conquistamos através da experiência encarnatória que dita para onde iremos quando desencarnamos. Ou seja, nós mesmos fazemos o nosso céu e o nosso inferno, de acordo com as nossas ações, e a religião que professamos não é uma medida. Bons ateus são muito bem recebidos no astral e podem ser atraídos para lugares muito mais evoluídos do que certos padres, pastores e fiéis.
Quem será salvo?

Esse termo “autoescolhido” foi criado pelo espiritualista e professor Laércio Fonseca, mas a ideia que ele passa com este ensinamento é comum entre as doutrinas esotéricas da luz.

Escolhi esse termo, deste querido professor, pois ele resume em si mesmo qual é a verdadeira e única salvação possível para nós que estamos aqui, encarnados na densidade material da terceira dimensão: nossas próprias escolhas. Somos nós mesmos que nos incluímos ou excluímos do que entendemos por salvação, existindo um apocalipse que termine com a vida na terra, ou não. É a nossa transformação interna, a iluminação baseada nos verdadeiros valores espirituais que nos envia para uma boa ou má dimensão, onde vamos vivenciar o amor ou o aprendizado necessário de acordo com nossos erros.

“É melhor conquistar a si mesmo do que para ganhar mil batalhas. Então a vitória será sua. Não as podiam tirar, nem anjos nem demônios, céu ou inferno”
Buda

É fácil perceber esse conceito. Imagine que um asteroide está vindo na direção da Terra, como providência divina para iniciar o apocalipse. Imagine que, como temos certa tecnologia, conseguimos saber que isso vai acontecer dentro de alguns dias. Sabemos também que, dependendo da zona de impacto desse elemento, alguns lugares serão mais ou menos atingidos em termos físicos. Pois bem. Não é difícil pensar que, quem possui mais dinheiro, terá mais chances de se deslocar para locais mais “seguros”, certo? Como se isso fosse suficiente para proteger alguém de uma catástrofe dessas dimensões. Será que essas pessoas conseguiriam se salvar da morte terrível que condições apocalípticas impõe? E, se morrerem, o fato de terem se direcionado para um local seguro terá alguma importância aos olhos divinos?

Não. Sequer sabemos se, em condições adversas como essa, o presente divino será morrer ou viver. Nossos instintos de sobrevivência gritam “viver”, mas talvez a morte seja a recompensa daqueles que merecem ser salvos. O fato é que, de acordo com nosso estilo de vida e vibração espiritual, estaremos no local exato para viver ou morrer, seja lá qual for o melhor destino entre ambas opções.

Boa parte do planeta segue os valores da matéria. Poucas são as pessoas que escolheram o caminho da luz, do autoconhecimento, da espiritualidade verdadeira e dos valores espirituais. As trevas, a escuridão, nada mais são do que a ignorância espiritual que faz com que as pessoas valorizem a matéria em detrimento do espírito. O ter, ao invés do ser. A arrogância, ao invés da humildade. A vaidade no lugar do perdão. A destruição e o egoísmo contra a união e a empatia.

Pense nisso. É você mesmo quem se salva ou se condena. São as suas atitudes que te levam ao céu ou ao inferno. Tudo depende de quem somos, como escolhemos viver a nossa vida e o impacto que a nossa existência causa nos outros, já que, como vivemos em comunidade, a questão social e afetiva é parte da jornada evolutiva. A forma como nos relacionamos e o que fazemos ao outro em uma importância tremenda. Escolha os valores espirituais e você se auto escolherá para a salvação. Busque a luz e você a encontrará, especialmente dentro de você mesmo.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.