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Qual é a missão dos ricos? Existe um propósito?

Qual é a missão dos ricos? Existe um propósito?

Ter dinheiro, ser bem-sucedido, alcançar sucesso, acumular bens. Para alguns, é uma meta de vida. Quanto mais, melhor. Para outros, ser rico parece até um pecado. É claro que não podemos ignorar que o acúmulo descontrolado de riqueza é quase uma afronta, quando tantos no mundo sequer tem o que comer. Sabemos também que as fortunas raramente mudam de mãos e que são feitas, direta ou indiretamente, através da exploração do trabalho humano ou dos recursos naturais, quando não dos dois. Mas o intuito hoje é refletir sobre a missão que essas pessoas têm, especialmente quem já nascem em berço de ouro. Pois sim, principalmente esses, fica claro que era um destino e parte da programação da reencarnação.

Mas o que leva pessoas a programarem uma encarnação entre a nata da riqueza?

O propósito da riqueza

Quase que por impulso, tendemos a responder até com certo deboche “óbvio que é porque ser rico é bom. Quem não quer poder curtir a vida sem preocupações?” Mas, se refletirmos um pouco mais, veremos que não estamos aqui para isso. Nosso ciclo de encarnações no planeta não tem por objetivo sermos recompensados com dinheiro e boa vida.

“A quem muito foi dado, muito será cobrado”
Lucas 12,48

Tanto a riqueza quanto a pobreza, são meios do espírito evoluir, pois ambos exigem, de maneiras distintas, provação de valor moral. Se negarmos a existência de um propósito, seria o mesmo que dizer que Deus simplesmente escolheu privilegiar alguns, enquanto para outros resolveu dar a miséria e dificuldades. Seria esse um Deus justo e benevolente? Não.

Então, tudo faz parte da jornada evolutiva, e cada um purga sentimentos e aspectos espirituais de maneira diferente através da condição financeira.

“A riqueza, não se mede pelos bens que se possui, mas sim pelo bem que se faz”
Miguel de Cervantes

Acreditar que nascer no luxo é um privilégio é apenas uma ilusão. A fortuna pode gerar ainda mais carma que a pobreza, e induzir quem a possui a cometer excessos. Ela vicia, hipnotiza e subjuga. E como tem mais recursos para proporcionar o bem-estar de terceiros, o rico também é cobrado por isso. Na questão 816 do Livro dos Espíritos, indaga-se: “Se o rico sofre mais tentações, não dispõe também, de maiores meios para fazer o bem?”

Os mentores respondem: “É justamente o que sempre não faz. Ele se torna egoísta, orgulhoso e insaciável. Suas necessidades aumentam com sua fortuna, e crê não haver jamais o bastante só para ele. A posição elevada neste mundo e a autoridade sobre seus semelhantes são provas tão grandes e tão difíceis quanto a miséria, porque, quanto mais se é rico e poderoso, mais se tem obrigações a cumprir e maiores são os meios para se fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação, e o rico pelo uso que faz dos seus bens e do seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer as paixões que nos ligam à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso, Jesus disse ‘Eu vos digo, em verdade, é mais fácil a um camelo passar pelo buraco de uma agulha que a um rico entrar no Reino dos Céus!”.

Quem já conheceu um rico que diga “já estou rico o suficiente, agora chega”? Mas não devemos achar que as portas do Céu estão fechadas para os ricos. A riqueza é, como tantas outras, mais uma provação. Essa é a missão dos ricos: vencer, superar o materialismo e o ego, focando na generosidade, altruísmo, desapego, caridade, utilizando os recursos materiais para ajudar no crescimento e bem-estar dos demais.


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A felicidade é próspera

Prospera sim. Rica, nem sempre. Se o acúmulo de bens e capital fosse a recompensa e objetivo da vida material, todos que lá chegassem encontrar a felicidade. É basicamente em cima dessa ilusão que a sociedade funciona: ela escraviza você com a promessa de uma felicidade que nunca chega, atrelada a uma condição social quase inalcançável. Isso faz a roda do ratinho girar e girar, sempre correndo atrás de algo. É a famosa “cenoura” colocada em sua frente.

A felicidade deve ser perseguida, conquistada, e está sempre um passo à frente, um nível acima do que você está agora. Quando pequenos, a felicidade está na adolescência, onde adquirimos alguma liberdade e começamos a explorar as coisas boas da vida adulta. Seremos felizes quando estivermos no ensino médio. Somos empurrados até lá e, quando lá chegamos, o papo é outro: há uma nova tarefa e a felicidade está em atingir o próximo nível, que é a universidade. Estude, entre na universidade e tudo vai ficar bem. E lá vamos nos, correndo atrás dessa cenoura. Chegamos a universidade, achando que agora seremos felizes, mas… Novamente vem a cenoura. Agora precisamos nos formar para que a vida comece de verdade. Estuda, estuda, gira a roda do ratinho e, quando nos formamos, ficamos mesmo felizes! Por pouco tempo. Pois agora é preciso arrumar um bom emprego, seremos felizes quando arrumarmos um bom emprego. Então a vida vai mesmo começar! Quando conseguimos, percebemos que há ali mais muitos e muitos níveis até a felicidade, pois há que se crescer no emprego. Batalhar muito, subir de cargo, aumentar o salário e então ser feliz. Que bobagem. Você está quase lá, quando percebe que precisa mesmo é se casar. Então se casa. E nada. Mais umas cenouras à frente, entende que foi tudo em vão, porque a felicidade de verdade virá quando você tiver um filho. Talvez dois. Depois, a felicidade vira um apartamento com varanda gourmet, um SUV na garagem, uma casa na praia, uma casa de campo…

As cenouras não acabam. Isso porque a cenoura é uma mentira do sistema, para te obrigar a produzir para sustentar. Produzir, especialmente, para poder comprar. O consumo é o que sustenta a sociedade e todos precisam comprar, comprar cada vez mais! Repare na quantidade de vezes por dia que você é impactado por alguém ou alguma propaganda te vendendo algo. Perceba também como os anúncios estão atrelados a desejos, estilos de vida, promessas da felicidade mais pura que pode existir. Não é atoa que é assim, pois funciona e os alvos, nós, nem percebemos. Estamos sempre querendo mais…

Quando você vê, mais da metade da sua vida se passou e você ainda não foi feliz. Entre a primeira e a última cenoura, tem quem encontre a felicidade. Mas é difícil, pois há que se perceber que ela não está na riqueza, no exterior, nos bens que adquirimos, mas sim dentro de nós. E isso é muito, mas muito complexo! Não é simplesmente uma decisão, como dizem os adeptos da psicologia positiva, vulgo, coach. A vida é muito mais complexa do que as decisões que escolhemos tomar.

Se riqueza fosse sinônimo de felicidade, nenhum rico teria depressão. Nenhum deles seria triste, desejaria mais. Quem consegue ser feliz, consegue sê-lo na riqueza e na pobreza. Sem querer romancear a pobreza, pois como mencionei antes, sabemos que a exploração e acúmulo de riquezas é que geram tanta desigualdade, longe de ser a “falta de esforço” das pessoas mais pobres. Vagabundo tem em todas as classes sociais.

“O cofre do banco contém apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que lá encontrará riqueza”
Carlos Drummond de Andrade

A prosperidade é muito mais um estado de espírito abundante, onde tudo é farto, do que simplesmente uma condição financeira. Sentimentos são prósperos. A gratidão é próspera. Perdão é próspero. A iluminação espiritual então, é mais do que prospera! É abundante, farta, abastada.


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Então, qual o é a missão dos ricos?

Depende de cada um. Porém, de maneira geral, podemos supor razões de acordo com relatos espirituais.

  • 1

    Ajudar o próximo

    Muito que foram pobres programam para a encarnação a seguir uma vida de riquezas. A princípio, o fazem cheios de boas intenções, pois, uma vez que sofreram na carne as amarguras da miséria, querem ajudar a diminuir a desigualdade e fazer o mundo mais justo. Então, quando há permissão, conseguem voltar e nascer já em berço de outro como se costuma dizer. Mas, como citado antes, é uma grande armadilha, pois a sedução do poder do dinheiro é tão grande junto com a ilusão material, que esse nobre propósito corre o risco de ser esquecido e substituído pela ganância.

  • 2

    Experimentação de Samsara

    A Roda de Samsara não transmite a ideia de resgate ou recompensa, mas sim de experimentação. Há que se vivenciar todos os aspectos de Samsara para tornar a evolução do espírito rica e completa. Precisa-se saber o que é ser rico, para entender o que significa ser pobre; e vice-versa.

  • 3

    Provação do ego

    Um espírito muito mesquinho e egoísta pode nascer com o “carma” da riqueza, onde ficará ainda mais exposto ao apego material, portanto, mais intensa será a luta contra esse aspecto da personalidade. É muito mais difícil matar o ego tendo o poder acessível através do dinheiro, do que quando estamos na pobreza.

  • 4

    Lei do Retorno

    Em alguns casos, a riqueza pode ser sim uma recompensa. Não recompensa pelo dinheiro, no sentido de que quem é “bom” merece a riqueza. Não. Mas no sentido de que essa oportunidade pode ter sido tirada da pessoa na vida passada, por um familiar, por exemplo. Temos o nosso livre-arbítrio, mas os outros também, e as escolhas erradas que eles fazem podem afetar diretamente a nossa vida. Uma escolha errada no passado de alguém próximo a você em uma vida antiga, pode ter mudado os planos da sua reencarnação e gerado esse carma. Então, nessa vida, a pessoa volta com essa condição, que lhe foi subtraída antes.

“A ignorância só degrada o homem quando se encontra em companhia da riqueza”
Arthur Schopenhauer

A lógica da reencarnação é aprender e evoluir. Independente da posição social, o que vale para Deus é o esforço de cada pessoa diante da provação imposta. E a missão dos ricos, espiritualmente, não é nada fácil.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.