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É melhor ser ofendido do que ofender: Chico Xavier

É melhor ser ofendido do que ofender: Chico Xavier

Chico Xavier é um dos maiores médiuns que o Brasil e o mundo já tiveram o prazer de conhecer. Extremamente talentoso, nos deixou obras e ensinamentos atemporais, e são inúmeras as citações desse mestre que nos causam reflexão. Muitas delas tem o poder de transformação, uma capacidade de nos atingir no âmago da alma e nos trazer uma nova perspectiva sobre a vida.

Um dessas frases eternas fala sobre a ofensa. Certa vez questionaram Chico Xavier sobre qual melhor posicionamento diante de uma ofensa, e a resposta que ele deu é uma das mais sábias citações dessa mente iluminada: “ficaria mais triste se fosse eu o ofensor”.

“Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor… Magoar alguém é terrível!”
Chico Xavier

Quem nunca foi ofendido? Uma agressão verbal às vezes dói mais do que um tapa. De forma intencional – ou não -, viver em sociedade implica ser ofendido de tempos em tempos. As relações são difíceis, a natureza humana tende ao individualismo e cada vez mais vivemos um clima de polarização geral. Ofensas tem feito parte da nossa rotina e das nossas relações sociais. Especialmente quando se trata da internet, as pessoas se empoderam de certezas e da coragem que o anonimato proporciona, para ofender e humilhar sempre que se sentem ameaçadas.

Se as nossas relações são construídas, isso significa que podemos construir uma realidade melhor de interação. E essa frase de Chico Xavier é enorme em significado, uma síntese do caminho mais rápido para o despertar.

A ofensa machuca

Quando faltam os argumentos, a ofensa é o caminho mais curto e covarde para demarcar fronteiras dentro de uma discussão e mostrar um posicionamento firme em relação a alguma ideia. Seja o outro uma ameaça ou um elemento no qual eu possa descarregar minhas frustrações, o ato de ofender é uma emoção carregada de negatividade, um descontrole emocional e também espiritual que inclusive abre portas para o acesso de assediadores. Todas essas frequências emocionais mais baixas desequilibram nossa vibração e nos colocam na sintonia de espíritos desequilibrados. Manter a lucidez perante acontecimentos de impacto forte é um exercício diário para quem deseja despertar.

Quando ofendemos, significa que o diálogo acabou, que uma das partes deixou de escutar e está totalmente fechada a qualquer outra perspectiva. É uma violência interna, pois, parte do universo de emoções do outro e se materializa em forma de agressividade verbal. Quase sempre há a presença da raiva guiando a ofensa, e ela sabe muito bem quais os pontos fracos do oponente que deseja agredir. E nosso ego também tende a se ofender com certa facilidade…

“A raiva é um veneno que bebemos esperando que os outros morram”
William Shakespeare

A questão é que devemos sempre prestar atenção na origem dos nossos sentimentos. Por que eu desejo ofender? De onde está nascendo esse sentimento? Que parte do outro está interagindo com algum espaço meu e causando transtorno? Machucar o outro nunca é a solução. Só quando racionalizamos as nossas emoções é que conseguimos começar a entender o que Chico quis dizer quando afirmou preferir ser ofendido do que ofender.


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A consciência de quem ofende

Pessoas fechadas ao diálogo e agressivas quase sempre tem uma dificuldade de se relacionar com o novo e controlar as emoções negativas que essas interações causam. Ao invés do diálogo e respeito, a escolha pela ofensa fala sempre de uma dor interna, de uma ferida narcísica. E isso mostra que a capacidade de processamento das dificuldades da vida ainda precisa se desenvolver, ao ponto em que exista pelo menos o controle do ímpeto de ofender.

Nosso caminhar na Terra parece ter a ver com felicidade, realização, sucesso e bens materiais, mas, na verdade, estamos todos em uma escola. E nosso aprendizado está totalmente ligado com as relações afetivas, como processamos as emoções, a visão que adquirimos da vida e da espiritualidade. Quanto maior nosso domínio sobre as emoções negativas, mais evoluídos vamos nos tornando.

“Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”
Evelyn Beatrice Hall

A ofensa diz mais sobre quem ofende do que sobre o ofendido. Quem recebe uma ofensa pode ainda escolher acolhê-la ou não, de acordo também com a percepção que ela tem das relações humanas. Sempre será melhor receber a ofensa do que liberar no Universo uma energia com vibração tão densa.


A força da palavra

Se os nossos pensamentos têm uma força imensa, capaz de materializar “coisas”, imagine a intensidade da energia movida quando um pensamento é verbalizado. Uma palavra agressiva é capaz de modificar completamente a energia do ambiente.

É bom ter isso em mente, especialmente quando somos nós que sofremos as alterações emocionais que nos fazem perder o controle. E quando isso acontece, o azar é todo nosso. Fisicamente, as sensações são horríveis, o coração acelera, a respiração encurta e o organismo recebe uma carga de cortisol, o hormônio do stress. Somos envenenados momentaneamente por essa substância. Essa descarga gera a emoção, a raiva, ódio ou revolta, momento em que o impacto que sofremos passa a ser espiritual. Nossos chakras são atingidos, nossa energia se densifica e a aura pode alterar de cor. Estamos, nós mesmos, nos colocando na pior faixa vibracional possível. E tudo isso porque desejamos atingir uma pessoa, que pode simplesmente ignorar e desprezar a ofensa.

Não crie essa energia para você. Nunca haverá o arrependimento pela ofensa não dita, mas é comum sofrermos com uma ressaca moral quando nos envolvemos em uma discussão onde a nossa conduta poderia ter sido melhor. A palavra tem força material e pode jamais ser esquecida, eternizada em algum momento da linha do tempo. Evite criar essa energia para você e use a força das palavras para beneficiar sua própria jornada evolutiva.


Clique Aqui: A doutrina espírita e os ensinamentos de Chico Xavier


O perdão aniquila a ofensa

Muito se fala em perdão e a expressão já virou quase um clichê. Entretanto, ao internalizamos esse conceito, estamos criando uma perspectiva de vida que vai ter consequências enormes na forma que levamos a vida. Primeiro exercício quando ficamos irritados com alguém, por exemplo, é pensar que este alguém pode estar passando por dificuldades, tendo um dia ruim, pode estar doente, ter perdido alguém ou carregar uma bagagem emocional pesada.

Ou, quem sabe, seja você quem esteja passando por um processo complicado e está com a paciência reduzida. Seja qual for a situação, precisa existir a compreensão não só da dimensão das nossas próprias emoções, como a percepção do outro como um indivíduo separado, que possui emoções e também passa por experiências difíceis. É o processo pelo qual todos passamos que nos permitem ter conclusões diferentes sobre temas variados, logo, pessoas diferentes vão sempre ter pensamentos e prioridades diferentes. A única ligação possível entre elas é a empatia, a tentativa de apagar por um instante a sua individualidade para se colocar na posição do outro. Quando fazemos esse movimento, o perdão acaba sendo uma consequência.

Estamos encarnados na matéria e vamos passar por dificuldades e nos relacionar com pessoas. A força espiritual que a maturidade traz é capaz de proporcionar grandes saltos evolutivos em nossa jornada, e tudo começa no questionamento e percepção das nossas próprias emoções, o espelho mais fiel que nos conecta com o outro.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.