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Entenda a Lei do Karma no Mapa Astral, segundo a astrologia védica

Entenda a Lei do Karma no Mapa Astral, segundo a astrologia védica

Ninguém pode contradizer o fato óbvio de que a ciência da astrologia védica repousa sobre a Lei do Karma — e que também implica a existência do renascimento, ou o ciclo de nascimento e morte. Vidas passadas, destino, livre-arbítrio, Leis da Natureza, você tem tudo e mais um pouco no seu Mapa Astral!

A seguir, com base em publicação no Jyotisha News, pelo Daily Mirror, explicamos brevemente o funcionamento das Leis do Karma no Mapa Astral, e como elas impactam sua vida.

Mapa astral, astrologia védica e Lei do Karma

A Astrologia, como um subproduto da filosofia védica, parece ter sido desenvolvida como um mecanismo para explicar o funcionamento da Lei do Karma, abrangendo os fenômenos terrestres com especial referência aos seres humanos.

Enquanto a astrologia “mundana” foi desenvolvida com o propósito de prever os eventos significativos do mundo material como guerras, pragas, terremotos, mudanças sócio-políticas e geopolíticas, transformações ambientais etc., a astrologia de um mapa astral tem sido desenvolvida com o propósito de prever fortunas e infortúnios para cada indivíduo.

Presume-se que, assim como todo fenômeno natural que ocorre no mundo, tudo o que um indivíduo enfrenta na vida está sujeito a uma lei universal chamada Lei do Karma. E essa Lei é a base do mecanismo chamado astrologia védica projetado e desenvolvido por antigos profetas indianos. Sua finalidade é a de obter uma visão do futuro do mundo material, bem como de um indivíduo.

Estudiosos da filosofia védica classificaram o Karma sob as seguintes Leis da Natureza:

Lei de Causalidade

Tudo o que acontece no Universo é devido a uma causa, e todas as demais leis da natureza estão subordinadas a essa lei fundamental. Os pensamentos e ações do homem estão sujeitos a esta lei — um bom pensamento produzirá um bom efeito e vice-versa. Da mesma forma, uma boa ação produzirá uma boa reação e uma má ação, uma reação ruim. Ambas as causas e efeitos constituem o Karma.


Lei de Ação e Reação

Para toda a ação há uma reação. Se você causar dor a outro, sofrerá dor. Esta lei opera em planos mentais e físicos com precisão.


Lei de Compensação

A Lei de Compensação opera em todo fenômeno natural. Esta lei irá restaurar o equilíbrio, harmonia e justiça na sequência de cada catástrofe. Você sempre irá colher aquilo que plantou.


Lei da Retribuição

Toda ação errada trará sua própria punição de acordo com esta Lei da Retribuição. Aquele que machuca outro se machuca primeiro. Aquele que engana outro se engana primeiro. Cada ação errada, enquanto punindo instantaneamente o eu interior do agente, acabará punindo-o por meio de dor, miséria, infelicidade, doença etc.


Lei das Impressões

O que quer que alguém faça, deixará uma impressão no subconsciente da pessoa. Impressões que convergem fazem Samskaras (“impressões mentais” ou traços comportamentais). Os Samskaras se transformam em hábitos que, por sua vez, se desenvolvem em caráter. Assim, o Karma produz caráter.


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A distribuição do Karma pelo sistema solar

Segundo o Brihat Parashara Hora Shastra, uma das principais escrituras da Astrologia Védica, os planetas do nosso sistema solar (Grahas, em sânscrito) foram criados para distribuir aos seres vivos os resultados de suas ações (o Karma). Muitos especialistas acreditam que seu funcionamento atua como engrenagens da Lei do Karma.

Diante dessa concepção, assume-se que o estudo do Mapa Astral funciona como um “você está aqui”. Madu Cabral, especialista em Astrologia Védica, Yoga e Ayurveda, explica que “o posicionamento dos planetas no momento que você nasceu mostra suas tendências comportamentais, fraquezas e potenciais resultados de ações nas vidas passadas. Essa configuração mostra também como vai ser a base da sua existência nessa vida, sempre resultado do que você já fez, seja nessa ou em outras vidas”.

Explicando de uma forma bem simples, podemos dividir o Mapa Astral em 3 camadas de informações:

  • Bhavas: são as casas astrológicas e representam as áreas da vida;
  • Rashis: são os signos. Eles mostram nossas tendências de comportamento e os acontecimentos relacionados a determinada área da vida;
  • Grahas: são os planetas, onde cada um cuida de um assunto específico.

Os quatro tipos de Karma

Por fim chegamos ao Karma no Mapa Astral védico. Significando ação em um sentido mais amplo, Karma é a soma total de ações boas ou más feitas por um indivíduo durante sua vida. É a totalidade das ações de um homem que se torna a causa do ciclo de nascimento e morte.

É o nosso Karma passado que determina a nossa existência atual. E tanto o nosso Karma passado quanto o Karma que acumulamos agora determinam nossa futura existência. Na filosofia védica, o Karma é classificado basicamente em três categorias, sendo elas:

  • Sanchita Karma: é o nosso Karma acumulado, representado por todas as nossas ações em vidas passadas;
  • Prarabdha Kaarma: corresponde ao nosso Karma atual. O Prarabdha é uma porção de todo o Sanchita Karma, distribuída para a vida atual;
  • Kriyamana e Agami Karma: representam o livre-arbítrio. Enquanto Kriyamana toma atitudes para mudar situações da vida atual, o Agama traça planos de ação para o futuro.

É importante dizer que sem os Karmas do livre-arbítrio ficaríamos presos ao Karma de todas as encarnações passadas, sem direito ao aprimoramento de nossa alma. E as definições não param por aí. Existem 3 níveis de Karma que se aplicam aos 4 nomes citados acima:

  • Dridha: é o nosso Karma Fixo. Não podemos mudá-lo, nem com muito esforço. Ele está nas mãos de Deus;
  • Dridha/Adridha: é o chamado Karma Misto. Ele pode ser mudado, mas com muito esforço de nossa parte;
  • Adridha: chamado de Karma Mutável, ele pode ser alterado e sem muito esforço.

“Astrologia é somente a leitura do padrão do nosso Karma, que tem uma ligação de nossas vidas passadas com as vidas futuras. O padrão kármico é tecido habilidosamente pelo Mapa Astral, indicando o equilíbrio dos Karmas que o indivíduo está carregando, bem como sua missão nesta vida”. – K.N. Rao (astrólogo hindu)

Enquanto a Lei do Karma diz que “você colherá o que você plantou”, a Lei de Newton afirma que “para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. Então o Karma não deve ser encarado como uma punição, e sim como o fruto daquilo que plantamos, onde gira a roda incessante de renascimento através dos mundos (Samsara).

Sendo assim, podemos constatar que o Mapa Astral é um mapa flexível do Karma individual. Parte dele é fixa e parte é mutável, já que podemos alterá-lo com o livre-arbítrio — algo que depende exclusivamente de cada um de nós.

De acordo os ensinamentos hindus, dois tipos de Karma representam nosso Destino, enquanto Kriyamana e Agami representam o livre-arbítrio. A Lei opera igualmente para todos.


Mapa Astral, a impressão de Prarabdha

Sanchita Karma é a soma total de nossas ações boas ou ruins em nossos nascimentos passados. É ele quem determina nossos nascimentos futuros e parte do nascimento atual. E é essa parte do Sanchita Karma, chamada Prarabdha, que estamos colhendo neste nascimento ou sendo responsáveis pelo que somos neste nascimento.

É Prarabdha que estamos experienciando neste nascimento como tristeza e felicidade, miséria e conforto, ganho e perda, etc. O Mapa Astral ou o horóscopo do nascimento é a marca de Prarabdha que trouxemos ou herdamos para este nascimento.

Nossas ações continuam dando origem a mais Karma enquanto estamos experimentando nosso Karma passado ou Prarabdha. Este Karma em formação continuamente é descrito como Kriyamana Karma (as escolhas, o livre-arbítrio). Isso significa que Sanchita Karma, em qualquer espaço de tempo, é a soma total do Kriyamana dos nossos muitos nascimentos passados.


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Alma, o armazém do Karma

A Lei do Karma pressupõe a existência de um “recipiente” onde ficam acumulados nossos pensamentos e ações. Tudo com muita precisão e exatidão. Esse recipiente é indestrutível, assim como uma força ou energia capaz de sobreviver à morte de um indivíduo para se mover para dentro dele num próximo nascimento.

De acordo com a filosofia védica, essa força não destrutível que carrega nosso programa kármico, ou Prarabdha, de um nascimento para outro, é a alma do indivíduo.


Mecanismo para desvendar o programa kármico

Toda a complexidade por trás da Astrologia Védica pode se intensificar ainda mais quando nos deparados com um sistema capaz de desvendar o programa kármico que a alma de um indivíduo leva de uma existência a outra.

Os antigos sábios indianos, através do insight desenvolvido com a meditação, foram capazes de perceber um padrão inteligente em operação em todo o universo, bem como uma correlação positiva entre os fenômenos cósmicos, a vida e os eventos terrestres.

Eles também haviam discernido uma relação entre um padrão de destino ou um plano de vida kármico programado na alma de um indivíduo, além da configuração celestial no momento de seu nascimento.

Tal constatação parece tê-los levado a desenvolver uma fórmula ou um mecanismo baseado na dinâmica dos planetas do sistema solar e as estrelas em movimento a anos-luz de distância para desvendar o plano de vida kármico chamado Prarabdha incorporado na alma do indivíduo.


Sistemas Dasa

Se os resultados acumulados dos atos e pensamentos de nossos nascimentos anteriores se manifestarem em uma sequência predeterminada por meio de eventos bons ou ruins durante a vida do indivíduo, é de vital importância saber quando eles ocorrerão, certo?

Os antigos profetas desenvolveram os sistemas Dasa (ciclos) para fornecer esse fator de tempo — e determinar quando certo evento ocorreria na vida de um indivíduo.

Existem muitos sistemas Dasa na Astrologia Védica que nos permitem prever os eventos kármicos à medida que eles se desdobram aqui na Terra. Um dos mais famosos é o Vimshottari Dasa, que utiliza ciclos de 120 anos, seguido de outros métodos como Sudarshana Chakra Dasa e Gochara.


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Heloisa Von Ah Heloisa Von Ah

Designer e redatora, respira arte desde que se entende por gente. Apaixonada por gatos, literatura, cinema e músicas que já ninguém mais se lembra, vê na calmaria e na simplicidade o cenário ideal para se viver. Aprendeu de tudo um pouco, de instrumentos musicais a artes marciais; e não vê a hora de mais, já que a vida não pode parar