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O que é o complexo de mártir? Conheça 18 sinais que ajudam a identificar

O que é o complexo de mártir? Conheça 18 sinais que ajudam a identificar

O complexo de mártir permite que as pessoas evitem a culpa e a vergonha, ignorem suas responsabilidades e evitem o crescimento trazido pela vida real. Ter o complexo de mártir envolve, essencialmente, apontar pessoas ou situações como culpadas por suas próprias doenças, decepções, sonhos perdidos e turbulências emocionais.

Mas, o que é um mártir em si? Será que você convive com um mártir em sua vida? Ou, o mais importante, você tende a se levar ao martírio?

“Ao contrário do humilhado, o mártir se envaidece do martírio”
Carlos Drummond de Andrade

O que é um mártir?

Em sua origem, o termo mártir era designado a uma pessoa disposta a morrer pelo seu país, religião ou crença. Hoje em dia, um mártir se refere a uma pessoa que muitas vezes se sacrifica de maneira desnecessária pelos outros, ignorando as suas próprias necessidades.

O que define o complexo de mártir?

O complexo de mártir é um padrão autodestrutivo de comportamento em que a pessoa busca o sofrimento e a perseguição como uma forma de sentir bem consigo mesma. Todos nós temos a inclinação de ser mártires, mas os que sofrem com este complexo tomam isso como um papel constante, o que muitas vezes prejudica suas relações. Ter o complexo de mártir se transforma em um modo de vida, porque influencia as interações que a pessoa tem com os outros e seu papel no mundo.

Por que indivíduos possuem complexos de mártires?

Por que determinadas pessoas se tornam vítimas impostas por si mesmas e outras são vencedoras natas? Existem diversas possíveis razões para isso e todas podem ajudar a ter uma visão mais empática sobre os outros ou de si mesmo.

Experiências da infância ajudam a nos moldar de forma significativa e, muitas vezes, desenvolvemos o complexo de mártir ao adotar valores e padrões comportamentais distorcidos de nossos familiares. Por exemplo, se nosso pai ou mãe se julgavam como mártires, que desistiram de seus sonhos por nós, provavelmente adotamos comportamentos altruístas, sacrificiais e gentis. Ao julgarmos nossos pais e familiares como referências, inconscientemente adotamos muitas de suas características.

Nosso condicionamento social e cultural também contribui consideravelmente para a tendência em desenvolver alguns complexos em nossas vidas. Por exemplo, quando comparamos tradições de diferentes países, podemos observar expectativas culturais diversas. Em alguns lugares, espera-se que a mulher seja dona de casa, mãe e que se sacrifique pela família. Em outros, que seja ativa, bem-sucedida e até mesmo um pouco egoísta. As raízes culturais determinam nossa forma de pensar e os sentimentos que temos sobre quem somos ou gostaríamos de ser.

Nossa autoestima e o desenvolvimento de nossas crenças essenciais também contribuem para um possível complexo de mártir. Quanto pior nos sentimos a respeito de nós mesmos, tendemos a encobrir isso sendo pessoas gentis, amorosas, compassivas e atenciosas. O papel de mártir é usado para enfrentar alguma disfunção e isso requer um processo sombrio. Se julgar como um mártir elimina a necessidade de assumir a responsabilidade por nossas vidas e, assim, usamos bodes expiatórios para justificar nossos fracassos e decepções.

18 sinais que ajudam a identificar o complexo de mártir

  • A pessoa considera algum mártir como seu herói, por exemplo, Francisco de Assis, Joana D’Arc, Gandhi, Jesus ou um de seus pais ou avós que abriram mão de todos seus sonhos pela família.
  • Podem ter nascido em uma cultura, país ou família que define papeis estritos de gênero, credos religiosos ou expectativas.
  • Possuem baixa autoestima e muitas vezes, são incapazes de receber amor ou afeto. Têm uma imagem corporal negativa, se julgam excessivamente, entre outras coisas.
  • Foram abusados emocionalmente, fisicamente ou psicologicamente na infância. Por um pai, irmão, membro da família, professor, etc.
  • Continuam em um relacionamento abusivo, apesar de isso prejudicar sua saúde mental e bem-estar;
  • Se recusam a ter responsabilidade pelas suas decisões e escolhas, que lhes causam dor ou sofrimento;
  • Enxergam a si mesmos como justos, abnegados, legais, santos, zeladores ou heróis;
  • Culpam o egoísmo e desumanidade de outras pessoas por sua opressão e repressão;
  • Estão sempre certos de sua grandeza e inocência;
  • Exageram ao falar de seus sentimentos, dificuldades e maus-tratos;
  • Possuem uma percepção paranoica, cínica e suspeitam das intenções de outras pessoas;
  • Têm necessidade obsessiva de estar certos;
  • Têm dificuldade em dizer não e impor seus limites pessoais;
  • Dizem que outras pessoas podem ler sua mente;
  • Induzem as pessoas a fazerem o que eles querem, retratando-se como sofredores;
  • Não despedem energia para tentar resolver seus problemas ou remediá-los;
  • Quando os problemas do mártir são resolvidos, eles já buscam outros para reclamar;
  • Sempre precisam de aprovação e reconhecimento de seus esforços, criando um drama muitas vezes.

Exemplos de pessoas com complexo de mártir

Jéssica está em um relacionamento com Paulo, que é alcoólatra. Amigos e familiares sempre dizem para ela deixar essa relação pensando em sua saúde mental, mas ela continua insistindo que vai conseguir mudar o Paul e o ajudar a ser uma pessoa melhor – apesar de ele ser relutante a mudar.

Antônio sempre faz horas extras no trabalho, mesmo sem ser solicitado. Quando alguém da empresa é promovido, ele culpa o chefe, falando sobre o quanto ele trabalha duro e se sacrifica sem receber nada em troca;

Melissa se esforça ao máximo na faculdade e, ainda assim, sua mãe está sempre lhe pedindo para ajudar com as tarefas de casa. Quando ela explica à mãe que tem muitas coisas para fazer por conta de seus estudos, a mãe começa a reclamar, chamando-a de egoísta e ressaltando como desistiu de tudo na sua vida em prol de Melissa.

Lucas e Thiago possuem um restaurante. Quando Lucas sugere que Thiago faça uma pausa, ele responde dizendo: “Sem mim este lugar desmorona. Não tenho a escolha de tirar uma folga”.

Rodrigo e Valentina são casados há 20 anos. Quando ele sugere que a esposa volte a pintar, Valentina diz: “Eu não tenho tempo para isso. Preciso cuidar dos nossos filhos”, apesar de os dois filhos já serem adolescentes e autossuficientes.

Como lidar com aqueles que possuem o complexo de mártir

Como já falamos, aqueles que possuem essa síndrome acreditam que:

  • Devem sofrer por amor;
  • Tudo vai desmoronar se não estiverem lá para manter a ordem;
  • São responsáveis pela felicidade e bem-estar dos outros;
  • Os outros são responsáveis pela sua infelicidade, dificuldades e maus-tratos – não eles mesmos.
  • Por se sacrificarem em excesso, as outras pessoas precisam obedecer, concordar ou apaziguá-lo todo o tempo;
  • Se não são valorizados, são inúteis.

As pessoas que sofrem com o complexo de mártir acreditam que são maus e, por isso, precisam garantir sua inocência através do auto sacrifício e de demonstrações de auto engrandecimento.

Infelizmente, a crença dos mártires de que são indignos os faz inconscientemente atrair ou criar situações em que são abusados ou tidos como garantidos. Isso os faz manipular e enganar os outros, reafirmando sua crença de que são maus e merecem coisas ruins em suas vidas.

Portanto, se você morar com um mártir, vai descobrir que ele está sempre encontrando formas de te mostrar o quanto é bom e, ao mesmo tempo, atrai situações que o faz se sentir má pessoa. Por exemplo, ao se manterem em relações abusivas, permitindo que sejam usados, geram argumentos desnecessários, se fazendo de vítimas.

O que não fazer junto de um mártir

Então, o que você não deve fazer se estiver ao lado de uma pessoa que possui um complexo de mártir. Veja algumas dicas abaixo:

  • Não aceite favores, presentes ou expressões de esforço e sacrifício excessivos

    Quanto mais você aceita de um mártir, mais ele espera de você e maior a chance de se ressentirem e criarem um drama no futuro. Não é necessário rejeitar todas as coisas que um mártir tenha que fazer ou dar a você. Devemos aceitar algo deles de vez em quando, apenas para que saibam que não são completamente menosprezados. Porém, não deposite todas as suas expectativas em um mártir, porque você pode estar contribuindo para perpetuar o seu complexo. É preciso que você seja o mais autossuficiente possível nessa relação.

    Por exemplo, se você mora com um de seus pais ou alguém da sua família que sempre cozinha para você, diga que prefere cozinhar sua comida na maior parte do tempo e dê algum motivo para isso (que você deseja ser mais independente, que gostaria de aprender a cozinhar etc). Você também pode se dispor para ajudar cada vez que a pessoa cozinhar, eliminando seu desejo de se sacrificar.

  • Concorde com eles e reconheça seu esforço, mas não atenda aos seus apelos de piedade, aprovação ou simpatia

    Se você tem um amigo que conta como passou a noite inteira acordado tricotando um cobertor para a feira local que você administra, não demonstre pena ou simpatia, afinal, essa foi uma escolha dele. Em vez disso, ressalte detalhes sobre a situação, por exemplo, diga: “ Sim, teremos uma grande feira” ou “Deve ter ficado muito legal” ou “Quais cores você usou? ”. E não use frases como “Coitado! Deve estar cansado ” ou “Que grande sacrifício deve ter sido”.

    Um outro exemplo pode ser o seu parceiro ao dizer: “ Passei a noite toda varrendo a casa. Agora estou com dores na coluna”. Em resposta, você pode concordar ou reconhecer “Eu notei que estava sujo, na próxima vez deixe que te ajudo” ou “Realmente, o chão está muito limpo”. Ao invés de dizer “Me desculpe por não ter feito isso antes” ou “Muito obrigada, você não existe”.

    Se tratando de um mártir, é bem melhor expressar seu apresso por ações e não através de palavras. Além disso, ao não demonstrar pena, aprovação ou simpatia, você não se sente manipulado ou culpado, deixando de ativar o comportamento autodestrutivo dele. Ele será obrigado a lidar com o extremo desnecessário de suas ações.

  • Seja corajoso e prefira sempre a honestidade

    Primeiramente, é preciso perceber – e possivelmente você já sabe – que ser honesto com o outro traz desconforto. Se você se abrir com o mártir sobre sua vida e como se sente, é provável que encontre negação, lágrimas ou ofensas. Ainda assim, se você se importa com essa pessoa, precisa plantar uma semente dentro dela, informando que ela realmente tem um problema que precisa ser trabalhado. Veja a seguir, algumas coisas que você deve ou não fazer quando está lidando com o coração de um mártir em sua vida.

O que fazer:

  • Organize ou escolha um momento apropriado para conversar, em que não haja espaço para distração ou drama. O quarto e a cozinha são ótimos lugares, assim como um local calmo ao ar livre;
  • Inicie a conversa falando a ele o quanto você aprecia e valoriza seus esforços;
  • Dê sequência informando que você notou um comportamento dele que tende a se auto sacrificar e que isso gera resultados ruins para você, sua família e amigos.
  • Esteja preparado para uma reação de negação instantânea. Ele também pode apontar o dedo para você e começar a criticar suas falhas para desviar sua atenção. Fique atento em sua própria tendência a ficar defensivo e ofendido, o que pode arruinar toda a conversa. Então, reconheça o que ele disse, concorde e restabeleça o motivo inicial da conversa;
  • Dê a ele exemplos claros de seu comportamento. Esteja preparado para uma argumentação e aberto para escutá-la. Mas, lembre-se de seguir em frente com seu objetivo e de dar boas razões pelas quais você está abordando o assunto;
  • Caso ele caia em um discurso de auto piedade, você pode confortá-lo, mas também fale sobre a importância de dedicar algum tempo para se amar e se valorizar, ao invés de esperar que os outros o façam;
  • Se ele concordar que tem um problema, fale que pode ajudá-lo a resolver. Ele pode ir a um terapeuta, se matricular em um curso de autoajuda ou comprar um livro sobre o assunto. Você pode até mesmo se oferecer para que ele saiba no futuro quando estiver assumindo o papel de mártir.

O que não fazer:

  • Não se mantenha na defensiva, argumentativo ou zangado. Será difícil, mas você precisa começar a conversa em um ambiente de calma e compreensão.  Aqueles que sofrem com o complexo de mártir quase sempre ignoram o que fazem. O comportamento deles é consequência de falta de amor próprio e autoconsciência;
  • Não os julgue de forma pessoal, apenas o comportamento. Procure usar termos como “Eu percebi que o seu comportamento…” ou “Seu comportamento é inadequado…”. Em vez de “Você é manipulador” ou “Você sempre faz isso”;
  • Não fale com eles em momentos que já tiverem estressados ou ocupados. Deixe a conversa para o horário e local certos;
  • Não ache que a conversa vai correr perfeitamente. É possível que você tenha um desafio e talvez, seja necessário retomá-lo algumas vezes antes de ter sucesso. Em alguns casos (como de idosos), a conversa pode não ter nenhuma utilidade em termos da expectativa de uma mudança. Porém, ficará claro como você se sente a vai ajudar a melhorar o clima, o que incentiva o mártir a ser mais consciente de si mesmo no futuro.

A palavra-chave – compreensão

Compreender que uma pessoa que faz parte da sua vida tem o complexo de mártir é a melhor forma de perdoá-la, aceita-la e viver com ela. Isso não quer dizer que você tem que aprovar o que fazem ou permitir ser manipulado, mas significa que pode ser livre e feliz, sem deixar as emoções reprimidas afetarem sua saúde mental.

Como lidar com o complexo quando é em si mesmo

Se você é aquele que está lutando com a síndrome de mártir, não precisa se preocupar. Todos temos nossos problemas e você com certeza não é uma má pessoa por isso. Você tem boas intenções, porém se equivoca e provavelmente, não estava ciente deste problema há muito tempo. Mas, está tudo bem.

Apenas o fato de você estar lendo este artigo agora e estar disposto a mudar, mostra como é sincero em relação à busca por ser alguém melhor. A seguir, veja algumas sugestões que podem ajudar você a se livrar deste martírio.

Se livre do martírio

  • Encontre um papel novo para desempenhar em suas amizades, relacionamentos, local de trabalho

    Isto é muito importante. Todos nós temos papeis diferentes em amizades e relacionamentos. Algumas pessoas têm papel de autoridade, outras de igualdade e outras aceitam até papeis de submissão.

    O seu papel tem sido daquele que se sacrifica, em outras palavras, as pessoas se tornaram dependentes de você de uma forma ou de outra. Felizmente, é possível mudar isso. É necessário sair do seu papel e explorar diferentes formas de se expressar, que podem ser autênticas e honestas. Veja alguns exemplos de papeis saudáveis:

    • O ouvinte
    • O amante
    • O companheiro
    • O confidente
    • O aventureiro
    • O cômico
    • O pacificador

    Existem diversas outras funções, mas você sempre deve se perguntar: “Esse é um papel saudável? Estou elevado acima, abaixo ou apenas agindo igual? ”. Procure papeis que criem igualdade para você e o outro.

  • Assuma a responsabilidade por você mesmo

    Busque assumir responsabilidade pelas suas decisões, ações e sentimentos. Apesar de isso ser doloroso muitas vezes, permite traçar uma linha entre o que você pode ou não pode mudar em sua vida. Assumir responsabilidades pode ser difícil, mas também é empoderador. Em vez de colocar a culpa nos outros por seu sofrimento, você vai saber que sua felicidade não está nas mãos de mais ninguém, a não ser nas suas. Você vai se sentir inspirado para fazer mudanças positivas em sua vida.

  • Se prepare para as reações

    Vão ocorrer erros e também terá pessoas em seu círculo social confusas com essa mudança e até mesmo alarmadas e incomodadas com seu comportamento. Quando alguém de um relacionamento ou amizade muda seu papel repentinamente, é normal haver um estranhamento. A melhor forma de reduzir este drama é falar diretamente com seus familiares, amigos ou parceiros que você está passando por uma fase de crescimento pessoal que exige que você faça tentativas.

    A comunicação clara e aberta é a melhor maneira de tornar sua jornada mais suave. Mas, não espere que seja fácil. Você pode encontrar uma relação específica em sua vida, que não está mais se alinhando com você, porque na realidade, ela fomenta seu papel de mártir. O que fazer neste caso?  Se for possível reparar essa parceria, amizade ou relacionamento, faça-o. Converse, seja paciente, mas não permita que ninguém atrase o seu processo de cura. Afinal, você vive com si mesmo para sempre e não é saudável viver uma mentira cansativa. Se dê a chance de começar de novo, limpar a lousa e experimentar a liberdade e felicidade que acompanham sua evolução.

    O principal é mudar profunda e sinceramente, mesmo que isso custe perder relacionamentos importantes em sua vida. Tenha paciência e tempo para se dedicar a isso.

  • Trabalho interior e involução

    Involução é o oposto de evolução, se refere a mudar sua consciência do mundo externo para o mundo interno. Trata-se de um processo de autoconhecimento e atualizar suas prioridades pode eliminar as máscaras, padrões de comportamento tóxicos e pretensões.

    Os dois caminhos deste trabalho interior são a autoconsciência e o amor próprio, que são essenciais para curar a síndrome dos mártires. Cultivar estes valores pode levar meses ou até mesmo anos. Porém, saiba que quanto mais essas qualidades são aprimoradas, mais confiança, clareza e coragem você tem para amar e receber amor.

    Para se tornar mais consciente, você pode iniciar pedindo a alguém que confie para auxiliá-lo. Sente-se com essa pessoa, explique os seus sentimentos e descobertas e peça para que faça um grande favor a você: te diga sempre que você estiver voltando para o papel de mártir. Deixe claro que você pode ficar chateado, defensivo ou hostil com isso no futuro, mas é apenas a sua delicada autoestima se manifestando. Agradeça essa pessoa sempre por seus esforços.

    Outra alternativa é manter um diário, no qual vai anotar os seus progressos. Escreva religiosamente neste diário descrevendo o que fez, o que sentiu e o que pensa em geral. Por fim, você vai passar a associar esses exercícios de autoconsciência com o cultivo do seu amor próprio.

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