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Existe diferença entre obsessor e encosto?

Existe diferença entre obsessor e encosto?

O mundo espiritual e umbralino acontece à nossa volta, ou seja, podemos dizer que o umbral é aqui. A diferença é que existe uma densificação da matéria diferente, que é mais sutil na dimensão espiritual e mais pesada e densa na nossa realidade. Portanto, estamos rodeados de espíritos o tempo todo, nunca estamos sozinhos e a movimentação espiritual ao nosso redor é muito intensa e diversificada.

Sabemos também que alguns espíritos podem nos influenciar, nos atingir energeticamente, seja por afinidade vibratória ou, em muitos casos, por vingança. Visto que vivemos diversas vidas, tivemos muitas relações das quais o fruto pode ter sido um inimigo, que agora nos persegue em busca de justiça movido pelo ódio e frustração que podemos ter causado. Em outros casos, podemos atrair para perto de nós aqueles espíritos que não se desenvolvem no mundo espiritual, pois, ainda têm forte ligação com os costumes da matéria: alimentação, vícios e relações carnais desequilibradas estão entre os comportamentos que baixam nossa frequência e atraem “amigos” indesejáveis. Por fim, pode ser o caso de termos como acompanhante algum ente querido que já se foi, que pensa estar nos protegendo, mas nos afeta negativamente com suas energias. Tudo que está fora do lugar causa um desequilíbrio, mesmo que essa não seja a intenção desse “protetor”.

“Uma mágoa não é motivo para outra mágoa. Uma lágrima não é motivo para outra lágrima. Uma dor não é motivo para outra dor. Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche”
Chico Xavier

Alguns chamam de encosto, outros de espíritos obsessores, causando certa confusão. Será que esses termos se referem ao mesmo fenômeno? Saber a diferença entre obsessor e encosto é essencial para definir como tratar o fenômeno de maneira mais adequada.

Quem são os encostos

Muitas pessoas não aceitam sua própria morte. Especialmente quando ela é trágica ou muito sofrida, esse espírito pode se recusar a aceitar que morreu, ou pior, não perceber que já não pertence mais à dimensão material. O apego à juventude, à família e aos filhos são os motivos que encaminham esses espíritos a uma cegueira evolutiva, tornando-os prisioneiros do umbral e da matéria. Grosso modo, esses caras são os que “não vão para a luz” quando morrem, recusando qualquer intervenção dos mentores e amigos espirituais.

Seja pela revolta em função da morte ou do transe psicótico que os tornam incapazes de perceberem seu desligamento, eles se sentem vivos e tentam continuar com a vida que tinham antes. Permanecem em suas casas, trabalhos e ficam próximos das pessoas que amavam, sem nem imaginar o mal que estão causando para quem amam. Pode ser um pai, uma mãe, esposa, marido, filho, avô, tio, irmão, amigo. O parentesco não importa, pois, o motor dessa relação doentia é a profundidade dos laços afetivos que foram criados entre o encarnado e o espírito que desencarnou.

Por isso o nome que é dado a esse tipo de espírito é encosto, justamente porque eles “encostam” nas pessoas, ficam muito perto, seja porque amam demais, porque querem proteger, por afinidade energética ou, na maior parte das vezes, porque não sabem ou não aceitam que morreram.

O problema é que o psicossoma do ambiente e da pessoa que está sendo acompanhada sofre um impacto direto. Mesmo com boas intenções ou quando não há intenção, ou seja, estão ali por não enxergarem seu desencarne e procurarem satisfazer vícios terrenos, eles acabam acoplando suas auras e somando suas energias a das pessoas. Mais que isso, acabam sugando as energias de quem está vivo, pois, precisam do ectoplasma para conseguir se manter ali ou ter algum bem-estar. Assim, quando se aproximam de nós, eles sentem conforto enquanto nós sentimos os efeitos nocivos daquela presença.

É o momento em que a pessoa pode assumir algumas características de personalidade deste que já se foi, desenvolver depressão, ter mudanças de humor repentinas, ficar irritado com mais facilidade que o habitual, além da fadiga constante e desânimo que a perda de energia proporcionam. Essa é a principal diferença entre obsessor e encosto: a intenção do espírito. Se você desconfia que tem um encosto, mobilizar os mentores e amigos espirituais para uma intervenção é a melhor saída, para que esse espírito seja socorrido e amparado. Buscar práticas espirituais que protejam e elevem a sua vibração também faz parte do processo de cura.


Clique Aqui: O que é um encosto para o espiritismo?


O obsessor: inimigos declarados

Aqui é que mora nosso maior problema. Diferente do encosto que não deseja fazer mal e está ali ou por não aceitar a morte ou pela ligação afetiva, o obsessor age com consciência e é movido pelo ódio que sente por nós. Estão ali essencialmente para nos fazer mal, agredir e nos ver sofrer. São inimigos, rivais de outra vida, para quem certamente causamos mal. Muitas pessoas se recusam a entender que não são santas e que, provavelmente, já mataram em outras vidas. Imagine um homem que viveu na idade média: a chance dele ter sido um guerreiro ou ter precisado defender sua honra e sua vida usando a espada é imensa. E, se assim não fosse, não estaríamos aqui. Quem já evoluiu e transcendeu a matéria, se livrando da Roda de Samsara, já não precisa encarnar e continua a jornada evolutiva em dimensões distantes da nossa.

“A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem”
Epicuro

Assim, essas consciências nos perseguem por muito tempo, às vezes atravessando vidas. Como eles não aceitam ajuda, conseguem escapar por muito tempo da roda das encarnações, ficando “livres” para nos obsediar por encarnações. Faz parte do livre-arbítrio dado a eles. Eles influenciam nossos pensamentos, atormentam nossa mente, sugam nossa energia, podendo até usar de certa tecnologia para nos adoecer, como dispositivos eletrônicos, por exemplo. Muito mais que depressão e mal-estar, eles travam a nossa vida, destroem nossas relações, nos prejudicam verdadeiramente e podem nos levar a desenvolver doenças graves. E se livrar deles é muito mais difícil do que mandar embora um encosto, pois eles sabem que morreram e não estão ali por amor ou afinidade energética. Estão por vingança. O ódio, nesse caso, é a principal diferença entre o obsessor e o encosto. O trabalho que é realizado com o obsessor é mais profundo e exige mais do alvo, que vai precisar buscar proteção mais forte e até mesmo estudar sobre a espiritualidade, para entender como tudo funciona para conseguir se proteger, se curar e fazer com que a vida entre em harmonia novamente.

Buscar ajuda de centros espiritualistas, benzedeiras, pais de santo e terapias alternativas de desobsessão são a única chance que temos contra esses espíritos.

“A vingança procede sempre da fraqueza da alma, que não é capaz de suportar as injúrias”
François La Rochefoucauld

O problema de algumas abordagens com obsessor

É claro que esses espíritos não são muito evoluídos e não têm boas intenções. Muitos são o puro mal, completamente demonizados pelo ódio que sentem e a falta de entendimento da vida espiritual. São destrutivos, totalmente desequilibrados e se afinizam com o que existe de pior em termos humanos e energéticos. Mas, nem sempre é esse o caso, e essa falta de sensibilidade de algumas doutrinas pode piorar o problema.

Eu explico. Imagine você, um pai de família honesto, trabalhador, que está lutando pela vida como uma alma decente. Esse cara é casado e tem filhas, uma verdadeira família de amor. Até que, de uma hora para outra, tudo muda. O mal cruza o caminho desse pai, invade a casa dele, estupra na presença dele a mulher e as filhas, as tranca em casa e bota fogo em tudo com elas dentro. Deixa o pai vivo para ver essa maldade inominável e depois tira a vida do pai. Bem sinceramente, se isso acontecesse comigo, talvez eu também virasse uma obsessora. Não há dor maior que ver um filho sofrer. Quem quer saber de perdão perante tamanha dor? Não quero com isso fazer nenhuma apologia à vingança ou contradizer o único e essencial valor espiritual evolutivo, que é o perdão. Mas quero mostrar que a maneira como ele é colocado -e esperado- por algumas doutrinas não é compatível com a natureza humana, especialmente de quem está encarnado na Terra. Como perdoar uma atrocidade dessas? Quem vier com “amor de jesus” para uma alma tão agredida, jamais será ouvido.

Isso acontece muito nos centros. A pessoa chega lá, despeja seus sintomas e logo é identificado o obsessor. Começam os trabalhos da casa de tentar neutralizar o espírito atormentador, e o tratamento que ele recebe nem sempre está baseado no amor. Eles têm de ser duros e inflexíveis, especialmente quando a alma é muito perturbada. Mas algumas vezes não é o caso, e esse pai de família só vai se enfurecer ainda mais quando ver o monstro que lhe causou tanto mal ser tratado como “coitado”, e ele, de certa forma uma vítima, fazendo o papel de monstro.

A abordagem do perdão está correta, é claro, mas nem sempre corresponde à natureza humana e o que é possível de ser assimilado quando as emoções são fortes como em um caso desse tipo. É preciso saber lidar com essas situações, usando do diálogo e também da serenidade, sem impor doutrinação, mas mostrar, com tranquilidade e paciência, que a ajuda deve vir e que essa ajuda fará com que essa dor imensa acabe. A ajuda é para o obsessor, para que ele possa seguir seu caminho e pare de sofrer. E como consequência, o alvo da obsessão se livra de seu algoz e também pode seguir em paz com sua encarnação. E o perdão virá, eventualmente, após muito aprendizado e muita experiência, no momento certo e quando o espírito estiver pronto para isso. Mas, pelo contrário, apesar da compaixão no discurso de algumas casas de socorro, a moralização do discurso espiritual, a imposição do perdão imediato e obrigação de agir segundo o que eles acreditam só piora a raiva de desses espíritos e impede que eles consigam se desvencilhar daquela dor que está alimentando a obsessão. Uma “lição de moral” em um caso como esse faz com que esse espírito obsessor não consiga compreender que o maior mal que está causando é para si mesmo, prolongando e revivendo os piores momentos de sua vida através dos séculos e dessa relação de ódio que foi criada.

“Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas”
Confúcio

Assim, para se livrar dos espíritos que estão te acompanhando, é preciso compreender a diferença entre o obsessor e o encosto, ou seja, perceber a natureza das intenções e laços que o espírito mantém com você. É preciso também entender que nem todos, dependendo da situação, são capazes de exercer o perdão da forma esperada. Esse acolhimento torna aquela consciência perturbada mais suscetível à ajuda espiritual, para que sua própria dor cesse. Amor, compreensão, amparo, proteção e aceitação podem ser o melhor caminho para lidar com certos obsessores, venha da parte de quem sofre com a perseguição, ou da equipe que está interferindo nessa relação.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.