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Deusa Ostara: do paganismo à Páscoa

Deusa Ostara: do paganismo à Páscoa

A Páscoa é um grande momento para reflexão, para pensar em renascimento, perdão, estar em família e, é claro, comer muito chocolate. É uma das épocas mais mágicas do ano, seja para as crianças que anseiam pela chegada do coelho da Páscoa e ovos de chocolate, seja para os adultos, que ficam em família, se conectam com as energias divinas, com Jesus, e também, podem usufruir das delícias dos ovos. Pensamos na Páscoa como uma data totalmente cristã, onde celebramos a incrível ressurreição de Cristo.

“O maior feito de Jesus não foi ressuscitar os mortos, mas é a capacidade de ressuscitar os vivos”
Padre Fábio de Melo

Porém, sabemos através da história que o catolicismo incorporou muitos rituais pagãos para solidificar a doutrina. Muitas das festas religiosa e das datas católicas importantes têm, historicamente, origem pagã, e ainda conservam delas alguma simbologia. E com a Páscoa não é diferente!

Sim, ela é inteiramente dedicada a Jesus e a ressurreição. Quanto a isso não há dúvidas e a história endossa a crença. Porém, os rituais que se tornaram tão comuns na Páscoa é que não fazem parte da tradição cristã. Vamos lá: você já se perguntou porque trocamos ovos de chocolate? Ou, em outros países, enfeita-se ovos de galinha? E porque é um coelho quem traz os ovos e não outro animal? Pois é. Essas práticas transcendem a ressurreição e tem uma origem ainda mais antiga.

Ostara: deusa da fertilidade

Coincidência ou não, o período de Páscoa na europa antiga era dedicado à Deusa Ostara, onde se ofereciam presentes e faziam rituais para esta deusa voltados à fertilidade. Ostara é a deusa da mitologia anglo-saxã, nórdica e germânica relacionada à fertilidade, amor e renascimento.

Ostara é também o primeiro dia da primavera, que marca a volta do sol e uma época do ano em que dia e noite têm a mesma duração depois do inverno. O mais interessante é que, essa tradição de esconder ovos ou oferecer ovos de presente é uma prática antiga, que compunha os rituais e oferendas feitas na primavera para a deusa Ostara. No Brasil, a Páscoa cai no outono, mas, na europa, berço do catolicismo, a Páscoa acontece bem o início da primavera.


Clique Aqui: Seis simpatias para fazer na Páscoa


Os ovos e o coelho

Assim, os festivais da deusa comemoravam o fim do inverno e o início da primavera, com a volta da fertilidade, vitalidade e alegria. Para Ostara se ofertava, no equinócio da primavera, muitas flores e ovos coloridos para proporcionar a fertilidade humana e da natureza; os ovos pintados eram símbolos da fertilidade, sorte e prosperidade, e, por isso, eram oferecidos à deusa e aos amigos e familiares. Os ovos eram o símbolo dos festivais. Essa tradição da troca de ovos pintados durante a Páscoa ainda se mantém em quase todo hemisfério norte até os dias de hoje.

Mas, além dos ovos, a deusa Ostara nos trouxe a tradição do coelho, que, mais tarde, virou um símbolo da Páscoa, pois é quem nos traz os tão esperados ovos de chocolate. Isso porque o coelho é um animal muito associado à fertilidade e procriação, portanto, associado também a deusa. Durante os festivais, as mulheres assavam pães em forma de coelho para oferecer a deusa e assegurar a fertilidade e o nascimento abençoado das próximas gerações.

O nome Ostara significa em alemão: “Ostern”, e em inglês: “Easter”, que significa exatamente Páscoa. A origem no nome também tem ligação com fertilidade, pois deriva do hormônio feminino (estrogênio) e também cio (estrum). Assim, o nome da deusa e também toda a simbologia das festividades em torno dela foram incorporados pela igreja católica, coexistindo com a celebração principal que retira Ostara e coloca Cristo no centro.

Esse é o real motivo pelo qual temos um coelho na Páscoa que nos traz ovos: a fusão entre o catolicismo e um ritual antigo, pagão. Como imagem arquetípica, Ostara ainda é muito forte no imaginário coletivo. O ovo e o coelho continuam muito presentes, a ponto de dividirem com Jesus às atenções nessa época. Claro que perderam sua essência principal e se transformaram em uma moeda de troca absorvida pelo mercado, que a tudo capitaliza. Mas não foi o mercado quem inventou os ovos de Páscoa e nem muito menos o coelho. Tudo tem uma razão de ser e, quando procuramos as explicações na história, podemos nos surpreender com a quantidade de coisas que fazemos e transmitimos de geração para geração, sem ter noção do significado e contexto histórico que possuem.

“A humanidade é pagã. Nunca qualquer religião a penetrou totalmente”
Fernando Pessoa

Agora, você já sabe porque recebe ovos de Páscoa e porque é um coelho o símbolo dessa troca de presentes. Tenho certeza que, agora, você vai olhar para seus ovos de forma diferente! Ficou surpresa? Aproveite para contar essa descoberta para seus amigos e familiares na Páscoa e aumentar a informação que eles têm sobre este aspecto curioso dessa data tão especial. Até as crianças vão gostar de saber de onde surgiu o coelhinho da Páscoa!

E, se durante a primavera, você quiser realizar um ritual de fertilidade para a deusa Ostara, temos um artigo especial que ensina como aqui.

Boa Páscoa!


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.