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As aparições marianas e a ufologia

As aparições marianas e a ufologia

A princípio, pode ser que não exista nenhuma relação entre esses dois universos. O fenômeno extraterrestre está restrito a ufologia e as aparições marianas dizem respeito ao catolicismo, milagres e aparições de Nossa Senhora.

Mas, se pensarmos bem, muitos desses relatos e parecem muito com contatos entre pessoas e entidades extraterrestres. Dá para construir pontes entre esses dois mundos?

O poder da interpretação

Antes de mais nada é importante falarmos sobre o poder da interpretação, no sentido do quanto ela contribui para a racionalização de eventos metafísicos. Podemos tomar com exemplo as três crianças pastorinhas em Portugal, para quem Nossa Senhora de Fátima apareceu. Início do século XX, pouquíssima tecnologia e um mundo ainda bem primitivo. Esse era o contexto dessas crianças camponesas na época das aparições. E a religião católica era dominante, e esse é um dado importantíssimo na percepção do quanto a crença pode influenciar os fenômenos.

Pois bem. Além de serem crianças, a única referência espiritual que elas tinham era o cristianismo. Então, aparece diante delas uma senhora, vestindo um manto, claramente uma entidade espiritual. Quem poderia ser? Maria, é claro. A entidade também aproveita que já existe uma identificação com uma certa ideia e se apresenta dessa forma, para evitar que o choque seja ainda maior. Ela passa a mensagem e ainda fortalece uma determinada religião.

O catolicismo é uma religião, uma criação humana para explicar o mundo sobrenatural. Tendo ou não a influência divina, nenhum sistema de crenças que tenhamos criado estará 100% correto, a materialização do único caminho para a verdade. É uma história, com contextos políticos, tecnológicos e consciências relacionados a época. Não podemos dizer que Maria era de fato virgem, qual data nasceu Cristo e nem se há essa santidade toda em torno da mulher que pariu Jesus. Não há dúvidas que essas figuras existiram e tiveram um papel espiritual muito importante, mas a criação religiosa formada em torno dessas personalidades não pode ser levada em consideração.

O que sabemos com certeza, especialmente em relação ao fenômeno mariano, é que entidades realmente apareceram e realizaram milagres e curas. Mas se elas eram realmente Maria é uma interpretação que pode variar bastante de acordo com as ideias que decidimos assumir com sensatas.


Clique Aqui: Milagre: Criança brasileira salva por pastorinhos de Nossa Senhora de Fátima


Humano, demasiado humano

Essa afirmação é de Nietzsche, um dos maiores filósofos da história. Podemos usar essa ideia como base para perceber como os seres humanos têm uma tendência enorme em projetar a si mesmo nos deuses. Isso vem ocorrendo há milênios, e quanto mais a modernidade avançou mais customizada a ideia de Deus foi ficando. Assim, enxergar um fenômeno de acordo com a nossa crença pessoal acontecer quase que de forma natural para nós.

“Não compreendemos Deus assim como ele é, mas sim como nós somos. Quem compreende Deus assim como Ele é, seria igual a ele, seria igual a Deus”
Huberto Rohden

Existir uma divindade cristã, nos moldes que a Igreja prega é apenas uma verdade conduzida pela fé. Idealizamos os deuses à nossa imagem, como o nosso reflexo no espelho, porque precisamos da segurança de algo, de um pai. E o fato de considerarmos Deus uma figura masculina prova esta necessidade. A humanização do divino natural da condição humana. Mas quando tentamos distanciar a mente dessa força natural, podemos abrir a possibilidade para que fenômenos como as marianas sejam forças cósmicas assumindo essas características e se manifestando de uma maneira que seja compreensível para nós.

E aí começamos a abrir caminhos para as relações entre as aparições marianas e a ufologia.


Entidades holográficas

Alguns pesquisadores do tema acreditam que as aparições poderiam ser uma projeção holográfica. Isso partindo da ideia de que a aparição tenha origem no universo espiritual, mas não desse mundo cristão; trata-se de uma ideia de cosmologia espiritual que acolhe inteligências de outros planetas como criações divinas, tão dignas quanto nós. E que haveria uma conexão entre toda a criação divina, desde o menor organismo celular, passando pela natureza, os seres humanos e todo o cosmo. Seja Deus quem for, ele não criou apenas humanos e colocou vida em um único planeta nessa imensidão de trilhões de galáxias e incontáveis planetas. Assim, os “mundos espirituais” podem ser entendidos como dimensões, onde seres mais evoluídos manipulam essa energia. E nestas dimensões certamente poderíamos encontrar muitos extraterrestres.

Quando avaliamos os testemunhos detalhados sobre o do modo como se processavam as aparições em Fátima, por exemplo, veremos que são descrições bastante precisas que indicam uma espécie de feixe luminoso de formato cônico que descia sobre a pequena azinheira e revelava em seu interior uma figura luminosa. O tal cone desaparecia em algum lugar entre as nuvens, como se estivesse vindo de um lugar do céu que os olhos não alcançam. E há ainda uma conexão mais forte entre as aparições marianas e a ufologia: sempre antes de haver uma manifestação, todo o entorno do local era percorrido por esferas de luz de dimensão variável, o mesmo fenômeno ufológico que conhecemos hoje.

“O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?”
Carl Sagan

Outro paralelo entre os fenômenos é que quase sempre aparece junto com a entidade um disco no céu. Em Fátima pôde-se ver um disco no ar, dentro do qual foram observados três seres, interpretados como a Sagrada Família pelos videntes. Eram personagens claramente identificados com a iconografia católica e cristã da época, como seria natural à luz das considerações anteriores. Eram a Virgem Maria, o Menino Jesus e São José, referências clássicas do que seria possível esperar em 1917, numa cultura local de intensa religiosidade mariana.


Clique Aqui: Os três segredos de Fátima: as grandes profecias


As virgens aparecidas eram extraterrestres?

Essa é a pergunta que fica, especialmente quando analisamos algumas aparições marianas a luz da ufologia moderna. As semelhanças são notáveis. E, partindo do princípio de que tudo que é externo ao planeta seja extraterrestre, qualquer entidade espiritual pode ser considerada como vinda de outros mundos.

Como vimos, a interpretação do fenômeno se dá no nível mental, portanto tende a variar conforme a crença de cada pessoa e tornar lugares mais ou menos propícios para uma manifestação energética específica. Por isso Buda não aparece em Portugal e nem Maria se manifesta na China, Índia ou Japão. Mas será que a identidade desses seres importa?

Provavelmente não. A necessidade de classificar o fenômeno e conhecer quem é essa entidade que se materializa é um esforço mental típico do humano, que precisa “encaixar” uma determinada realidade em algum padrão. Esse é, inclusive, o processo da racionalização ao qual estamos sujeitos quando encarnados. Mas a identidade de um ser espiritual é um elemento muito pequeno frente a mensagem que eles trazem.

Primeiro, não há nenhuma dúvida de que um fenômeno sobrenatural de fato aconteceu em todas as aparições reconhecidas pela igreja católica. Profecias foram feitas e depois realizadas, houveram efeitos físicos, climáticos e curas inexplicáveis. O conteúdo das mensagens era sempre o mesmo: evoluir moralmente e acabar com o pecado. Venha de um extraterrestre ou não, olhando para o mundo vemos que a mensagem é de extrema importância e ainda vai permanecer atual durante muitos anos.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.