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5 mitos sobre Ayurveda que você precisa desvendar agora mesmo!

5 mitos sobre Ayurveda que você precisa desvendar agora mesmo!

Ayurveda é um sistema médico que vem ganhando cada vez mais notoriedade no Ocidente — o que é muito bem-vindo devido a tantos benefícios que ela vem provando (há mais de 5 mil anos) ser capaz de oferecer a saúde humana.

O problema é que quando uma ciência complexa e distante de nós começa a ganhar certa fama, é totalmente natural que surjam alguns mitos surjam, bem como informações bastante equivocadas. Vamos desvenda-las?

Os maiores mitos sobre a Ayurveda

Ayurveda é um sistema médico muito complexo e com um acervo didático extremamente vasto. Existe uma verdadeira infinidade de informações a serem estudadas, e por esse motivo ela não pode ser abordada de forma profunda logo no primeiro contato.

Ao mesmo tempo, como não faz parte do desenvolvimento de nossa sociedade moderna ocidental, não temos contato (ou sequer conhecimento sobre sua existência) sobre esse sistema. Consequentemente, quando surge o assunto, muitos equívocos são cometidos na ora de se interagir com o sistema ayurvédico, bem como uma série de mitos a respeito.

O grande problema dessa situação é que mesmo com tanta falta de conhecimento, Ayurveda é um termo que andou “bombando” em muitos locais pelo Ocidente. Ela recebe cada vez mais reconhecimento de todos, inclusive de autoridades médicas.

Com isso, muitos querem pegar uma pequena “carona” nesse sucesso — vemos, por exemplo, até restaurantes incorporando a palavra Ayurveda em seus cardápios. Em grandes cidades e capitais não é muito difícil encontrar uma cafeteria que tente aderir a “moda” e sirva lattes de açafrão (também conhecidos como Golden Milk) ou os Ladoos, docinhos feitos com manteiga ghee.

“Os mitos são sonhos públicos; os sonhos são mitos privados”.
Joseph Campbell

Mas essa confusão e em especial esse rótulo passageiro pode gerar alguns prejuízos aos que realmente estão interessados em cuidar de si através do Ayurveda. Esse, inclusive, foi um ponto levantado pela autora Jasmine Hemsley, logo após lançar um de seus livros. E com base em algumas de suas principais declarações, que deixamos essa lista sobre os 5 mitos mais comuns sobre Ayurveda.

  • 1

    Essa é só mais uma “moda”

    Esse não só é o primeiro, como provavelmente o mito mais comum acerca do Ayurveda. Geralmente é motivado também pelo simples desconhecimento dessa ciência, julgando ser apenas “moda alimentar” de alguma revista ou celebridade e não o conhecimento médico milenar que realmente é.

    O Ayurveda é um sistema de saúde que se originou na Índia há mais 5.000 anos e é tão eficiente que mesmo nos tempos modernos ainda é usado para prevenir e curar doenças no Sul da Ásia e em todo o mundo, mantendo mente, corpo e espírito equilibrados.

    Embora a medicina oriental, incluindo o Ayurveda, seja frequentemente considerada menos “séria” do que a ciência ocidental, ela passou no teste do tempo, com diretrizes testadas e triadas para tratar cada indivíduo como um todo em seu ambiente, em vez de tratar apenas sintomas. O Ayurveda não olha apenas para sintomas, mas para as causas raiz.

    Considerar a medicina oriental menos séria é apenas uma demonstração de falta de conhecimento na verdade. Os médicos ayurvédicos, ou Vaidyas, passam por educação intensiva e treinamento, completando um bacharel em medicina ayurvédica e cirurgia, oferecidos por várias universidades na Índia.

“As lendas que cercam os mitos na nossa cabeça, são só as raízes da nossa ignorância, com medo da realidade revelada da sabedoria”
Iatamyra

  • 2

    É impossível integrar um estilo de vida ocidental

    Muitos veem toda essa forma de vida como algo extremamente exótico, algo que seria impossível de se integrar ao ritmo de vida ocidental, no qual estamos todos envoltos em uma espécie de “urgência” para tudo na vida. A verdade é que o Ayurveda é um sistema estimulante, nunca punitivo e, portanto, é sim possível integrá-lo em nosso estilo de vida.

    Possivelmente a melhor maneira de integrá-lo em um estilo de vida ocidental é em passos gerenciáveis e que agreguem pouco a pouco sua forma de ver o mundo em nosso cotidiano. Essa é, aliás, uma das características que faz o Ayurveda não ser intimidante e agradar a tantas pessoas.

    Integrar alguns princípios lentamente pode ser a quantidade certa para você, ou talvez você pode descobrir que tem muita afinidade com essa forma de ser e vai desejar se aprofundar mais. Seja qual for o seu caso e sua escolha, esse sistema trará benefícios.

    O Ayurveda é uma “ciência da vida”, e algo extremamente pessoal justamente para que você possa torná-la sua — uma vez que você entenda os princípios básicos é fácil personaliza-la para suas necessidades.

    Você pode, por exemplo, começar seguindo os ritmos circadianos da Terra mais de perto. Vá dormir antes das 22h, acorde antes das 6h e faça sua maior refeição entre 10h e 14h, quando sua digestão está mais “forte”. Você pode ainda adicionar uma meditação ou prática de yoga em seu cotidiano — ou as duas se quiser.

    Quanto à comida, as pessoas muitas assumem que o Ayurveda é limpa, crua e vegana, o que não é bem uma verdade. Embora muitas das tendências de bem-estar que se tornaram familiares hoje em dia serem aspectos do Ayurveda, isso não quer dizer que seja apenas isso. É tudo sobre equilíbrio.

    O Ayurveda é essencialmente vegetariano, mas abre exceções para os alimentos lácteos e acrescenta que a carne (obtida de forma muito específica) também é entendida como remédio, portanto, para subnutridos, convalescentes ou estressados.

    Prezando também pelo sabor, um alimento deve ser reconfortante, fácil de fazer e digerível, complementado com ervas e especiarias, concentrando-se em seis sabores principais (doce, salgado, etc.).

    No Ayurveda, a comida deve ser consumida conscientemente. Dessa forma, você aproveita até mesmo os pratos mais sutis, em vez de confiar apenas em alimentos ricos e com sabor extremo, feitos apenas para o prazer do paladar em vez da digestão.

“A vida é a variedade. Assim como o paladar pede sabores diversos, assim a alma exige novas impressões”
Coelho Neto

  • 3

    É um sistema único para todas as pessoas

    Esse é um pensamento muito comum, onde acredita-se que o Ayurveda é um sistema único e que age de forma idêntica para todos os indivíduos. Ter esse tipo de raciocínio é até natural, considerando que no Ocidente temos uma maneira muito linear de ver as coisas, por assim dizer. Como em caixas perfeitamente etiquetadas, acreditando que o mesmo é o correto para toda a sociedade. É o famoso “se funciona pra mim, funciona para ele” ou vice-versa.

    Observando essa linha de pensamento, acabamos fazendo o mesmo com o Ayurveda. Essa medicina entende que não só cada pessoa é única, como os indivíduos e seus ambientes evoluem constantemente, dependendo de inúmeros fatores.

    É por isso que olhar para o bem-estar de uma maneira mais holística faz sentido. O remédio de um homem pode ser o veneno de outro; cada pessoa é um fenômeno individual da natureza e deve ser tradado como a peça única.

    O Ayurveda faz uso todas as criações da natureza, trabalhando intuitivamente e sem ignorar ferramentas úteis. Aqui não são simplesmente os constituintes químicos que importam; esse sistema usa nossos cinco sentidos para entender necessidades humanas. Na prática, isso é o que os três doshas buscam explorar.

    Tudo no mundo é composto de uma mistura única de três doshas, ou energias, cada um com um elemento dominante. O Vata corresponde ao ar; Kapha à terra; e Pitta ao fogo, e todos nos possuímos os três doshas, ainda que em proporções diferentes.

    Podemos dizer que cada pessoa tem um certo tipo corpo-mente como seu “estado natural”, tipicamente com um dosha dominante. Esse seria o seu dosha principal e o qual se tornará uma base de análises no Auyrveda.

    É correto dizer que essa é uma base pois, apesar de determinarmos o dosha principal, isso também não é uma fórmula simples que pode ser usada em larga escala. Como dissemos, todos possuem os três tipos de dosha dentro de si, o que significa que podemos aumentar ou reduzir cada um deles de acordo com as necessidades.

    O Ayurveda atende a cada pessoa de acordo com suas características únicas de forma solidária e flexível.

“Nunca imites ninguém. Que a tua produção seja como um novo fenômeno da natureza”.
Leonardo da Vinci

  • 4

    A culinária ayurvédica equivale à culinária indiana

    As pessoas costumam pensar que a alimentação ayurvédica é equivalente a culinária indiana. É claro que, naturalmente, muito do que se contra no Ayurveda vá coincidir, uma vez que se originou na Índia.

    Muitos pratos ayurvédicos tradicionais são indianos (dal, kitchari…), a diferença é que o Ayurveda é uma ciência e não uma arte culinária.

    Seus princípios podem ser aplicados a qualquer prato. O objetivo é priorizar os alimentos que são digeríveis em conjunto, evitando combinações e métodos que possam perturbar o seu sistema digestivo. Isso deve ser levado em consideração junto a comer nos momentos certos (de acordo com os ritmos circadianos), mastigar bem e comer conscientemente.

    O impacto que as outras pessoas recebem também é diferente. Uma vez armado com esse conhecimento, além de uma prática em sintonia com suas necessidades, suas escolhas podem surpreender aqueles que o têm como um consumidor de “comida saudável”.

    Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”. – Sócrates

“A culinária é um dom da vida, o sabor a cada prato, mistura de ingredientes, a soma pra dar resultado”.
Eduardo Silva

  • 5

    É tudo sobre comida, yoga e religião

    Associar tudo no Ayurveda a algo místico é um erro muito comum, e que muito provavelmente ocorre pelo fato desse sistema ser um sistema holístico em sua essência. O Ayurveda é um estilo de vida, uma filosofia e um sistema de saúde, tudo em uma coisa só.

    Outro ponto é que esse sistema muitas vezes está presente em centros que abordam outros métodos de cuidados a saúde, como yoga e meditação, por exemplo, criando uma associação natural por boa parte dos leigos. Não apenas isso, ela é frequentemente introduzida como a ciência irmã do yoga, como uma “dieta”, ou até mesmo como uma filosofia espiritual.

    A comida pode ser crucial para o Ayurveda, mas é mais sobre quando, como e até mesmo com quem você come, sem nos esquecer sobre o que você come. Tudo conta. O horário das refeições, o local onde ela é feita e até mesmo quanto tempo dispõem para faze-la.

    Sua refeição deve ser aproveitada e saboreada. Você não obterá os mesmos benefícios da sua refeição se estiver estressado, já cheio ou simplesmente gostando do que está comendo — esse é o mesmo princípio que vale para tudo em sua vida.

    Da mesma forma que o Yoga não se resume a asanas, o Ayurveda é muito mais do que comida. Ayurveda é uma verdadeira fonte de conhecimento, uma linguagem para a ciência da vida, algo que você irá utilizar primeiramente para guiar sua vida, e parte disso inclui aquilo que você come e tudo mais que envolve sua alimentação.

“Homem superior é aquele que começa por pôr em prática as suas palavras e em seguida fala de acordo com as suas ações”.
Confúcio


Saiba Mais:

Heloisa Von Ah Heloisa Von Ah

Designer e redatora, respira arte desde que se entende por gente. Apaixonada por gatos, literatura, cinema e músicas que já ninguém mais se lembra, vê na calmaria e na simplicidade o cenário ideal para se viver. Aprendeu de tudo um pouco, de instrumentos musicais a artes marciais; e não vê a hora de mais, já que a vida não pode parar