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O que a resiliência tem a ver com espiritualidade?

O que a resiliência tem a ver com espiritualidade?

A princípio, você pode pensar que a resiliência seja uma virtude que apenas proporciona uma vida mais tranquila, pois, ela ajuda as pessoas a lidar de forma mais positiva com as adversidades. O que de fato é verdade. Uma pessoa resiliente é mais difícil de se abater com os “nãos” que a vida nos dá e as dificuldades que sempre aparecem. Mas não. A resiliência é uma habilidade espiritual, e exercitá-la vai colocar você em um ritmo de desenvolvimento mais acelerado.

“A felicidade é a aceitação corajosa da vida”
Erich Fromm

Ser resiliente não significa ser frio, calculista ou conformado. Pelo contrário. A resiliência é o que permite que enxerguemos as janelas após uma porta fechada. A resiliência é uma capacidade que nos orienta para o futuro, para a esperança e para a força, nos mostrando caminhos alternativos para conseguirmos aquilo que desejamos. Apesar da dor e das circunstâncias adversas, uma pessoa resiliente é capaz de seguir com sua vida sem perder o controle, e começar de novo quando tudo deu errado sem revoltas, lamentos ou indignação. Uma tomada rápida de decisão, facilidade de adaptação, criatividade, confiança em si e domínio das emoções são características muito favorecidas pela prática da resiliência.

Resiliência e a humildade: segredos do desenvolvimento espiritual

Quem é resiliente, é humilde. Aceitar os acontecimentos sobre os quais não temos controle mostra que confiamos em uma força superior, em um propósito que organiza a realidade e os fatos como acontecem. E, quando vemos propósito principalmente quando a vida nos machuca, estamos agindo com a resiliência necessária para encarar as dificuldades da vida com olhos de crescimento.

Querer estar no controle e determinar como tudo deve acontecer é um comportamento autocentrado, que coloca a pessoa no centro de tudo. É como se a pessoa fosse a divindade de sua própria vida, o que nem está tão errado em essência. De certa forma, nós somos mesmo os senhores do nosso destino, mas uma vez encarnados esse poder fica restrito. Existe um mundo espiritual e regras que a nossa consciência limitada não alcança.

“Ser resiliente significa ser flexível, mas possuir autoconfiança. Saber aprender com a atitude dos outros, sem perder a própria essência!”
Marcello Cotrim

A resiliência é a perspectiva que nos ajuda a aceitar aquilo que nos incomoda ou que não sai conforme o esperado. E ora, se pararmos para analisar, é isso que nos acontece boa parte do tempo. Uma encarnação com objetivos de evolução em um planeta de expiação, não pode ser menos do que difícil. A toda hora somos postos a prova e o controle emocional faz toda a diferença, inclusive na nossa vibração e equilíbrio energético. Stress, revolta e raiva, por exemplo, são sentimentos que não só prejudicam a nossa saúde como nos afastam do mundo espiritual.

“Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais fácil e genuína dos outros”
Carl Rogers

Porém, quando aceitamos as coisas como são, e, em especial, as pessoas como elas são, entramos em uma sintonia com a luz que é capaz de transformar a nossa vida. Não estamos aqui para sermos felizes como pensam alguns iludidos. Viemos aprender e não podemos esquecer que habitamos as dimensões mais densas, chamadas de dimensões umbralinas. Quanto mais consciência disso tivermos, mais conseguimos expandir a nossa consciência. E a resiliência é uma das maiores ferramentas para isso, pois ela nos obriga a praticar a aceitação e nos mergulha dentro de nós mesmos, e o controle das emoções só pode se dar através do autoconhecimento.


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9 passos para desenvolver a resiliência

A resiliência deve sair do campo teórico das virtudes e ocupar um espaço na vida prática. Como? Fazendo do conceito da resiliência e da aceitação um exercício diário. É perfeitamente possível que alguém que não consegue administrar as emoções seja capaz desenvolver resiliência.

“A compreensão é o primeiro passo para a aceitação, e somente com a aceitação pode vir a recuperação”
J.K. Rowling

  • 1

    Conhecer seu propósito

    Pessoas resilientes entendem que mesmo diante das situações que promovem desequilíbrio e inseguranças, é necessário resgatar de modo claro o que é importante para você, valorizar o seu principal compromisso de vida. E esse salto do pensamento está diretamente ligado com as nossas emoções e u quanto conhecemos de nós. Tanto as nossas limitações quanto as nossas habilidades são delineadas pelas fronteiras da nossa missão. Ou seja, suas dificuldades e também aquilo que lhe parece fácil está relacionado como tipo de aprendizado que você escolheu passar e programou para sua encarnação. Conhecer você mesmo, especialmente os seus limites, com certeza vão te dar novas perspectivas sobre os acontecimentos e ajudar você a manter o controle emocional em um nível suficiente para o aprendizado.

  • 2

    Valorizar suas vitórias

    Nós sabemos quando estamos sendo impacientes e também temos plena consciência quando adotamos uma postura de aceitação perante o fluxo da vida. Normalmente, vemos que a resiliência acompanha os momentos difíceis e as lições que aprendemos. É preciso focar e valorizar as ações e sentimentos que promovem confiança para enfrentar com flexibilidade as situações de crise, superar dificuldades e preservar a sua capacidade de seguir em frente. Dê mais valor a paciência que você conquista em cada situação incômoda, pois, quando jogamos luz ao progresso conquistado, vemos que somos capazes de chegar ainda mais longe.

  • 3

    Dar novos significados as crenças e acontecimentos

    Buscar identificar quais são os comportamentos que geram estresse, ansiedade ou frustrações. Entender quais são as crenças que levam você a ter esse tipo de comportamento e buscar um novo significado para essas crenças rígidas e inflexíveis, que muitas vezes nos fazem agir da mesma forma e com as mesmas atitudes. Tudo que nos acontece pode ser direcionado por diversos caminhos e essa escolha somente nós podemos fazer.

    Tudo pode ser encarado pela perspectiva do crescimento e essa abertura que damos ao universo chama-se resiliência.

“Não importa o que a vida fez de você. Mas sim o que você fez com o que a vida fez de você”
Jean-Paul Sartre

  • 4

    Estabelecer boas relações

    A resiliência também tem a ver com apoio. Quem se apoia sob a fortaleza, não teme a tempestade. Estabeleça um círculo social que lhe faça perceber que seu tempo é bem utilizado e que você é uma peça importante nesse mesmo sistema. É importante termos a certeza de que existe uma porta para bater nos momentos de aflição, e que essa porta vai se abrir. Muitas vezes será você quem vai abrir essa porta, servindo de socorro para os momentos de aflição de outros. E são as relações afetivas que construímos que garantem a nós essa certeza de um caminhar conjunto, dividido, onde um pode se apoiar no outro.

  • 5

    Aceite que a mudança é essencial

    Não há evolução sem mudança e mesmo que você não queira evoluir em nada, a mudança acontecerá. Portanto, adapte-se à mudança que vai ajudar a colocar em prática estratégias mais dinâmicas e a diferenciar as circunstâncias da sua vida para poder melhorar naquilo que deseja. Evite levar as crises da sua vida como problemas insuperáveis: você não pode evitar que os eventos altamente estressantes apareçam em sua vida, mas poderá melhorar sua relação com eles. Tente ampliar sua visão e ser consciente de que a maioria dos estresses são temporários.

    Tudo está em constante transformação e aceitar essa dinâmica da existência faz parte do despertar. E a resiliência é o segredo para aceitarmos e compreendermos as mudanças, mesmo quando elas são dolorosas e impostas. Revolta, questionamento cego e rejeição da força da vida são modelos mentais opostos a resiliência e impedem que você avance na jornada evolutiva, pois, prende você aos padrões negativos de vibração.

  • 6

    Tomar decisões

    Quem não arrisca, não petisca. Quem busca ter o controle de tudo e pensa demais antes de tomar uma decisão, corre o risco de paralisar frente a pressão que as consequências de uma escolha trazem. A resiliência também é contrária ao controle, pois ela precisa “deixar ir”, “deixar fluir”, enquanto o controle aprisiona.

    Não tenha medo de tomar decisões e não ignore os problemas. Quanto mais você fingir que está tudo bem quando não está, mais o problema vai ganhar força e fazer você sofrer. Resolva hoje o que você pode deixar para amanhã!

  • 7

    Mantenha a lucidez

    Antes de perder a cabeça ou quando estiver em uma crise nervosa, tente pensar em todos os problemas que você já enfrentou e a importância que eles têm após um tempo. Será que valeu todo o stress que você já passou? Tudo sempre se resolve no fim.

    Algo ruim ter acontecido não quer dizer que sua vida inteira está à deriva, nem que a sua personalidade e valores também estejam. Delimite bem o problema para poder atacá-lo e evitar que contamine o que há de bom. Tudo passa, como até hoje tudo passou. Problemas sempre vão existir, mas o que resta no fim é o que aprendemos com eles. E o desespero cega nossos e não nos deixa enxergar com clareza e aprender.

  • 8

    Preste atenção em você

    Autoconhecimento é fundamental. É ele quem nos ajuda a tomar posições na vida, reagir de uma determinada maneira ou saber que será preciso ter mais controle emocional em uma situação específica. Por isso, cuidar de si tem tudo a ver com resiliência.

    Nunca deixe que a correria da rotina e as responsabilidades tomarem todo o espaço da sua vida. Não deixe que o trabalho e as ocupações sejam as únicas coisas que preenchem seu tempo, negligenciando sua alma e as aspirações do espírito. Faça coisas das quais você gosta, descanse, passe tempo com pessoas que você ama e estude sobre a consciência e o mundo espiritual sempre que possível.

  • 9

    Sofra, mas evite o vitimismo

    Vítimas existem. Fato. Esse papo furado que de não existem vítimas e que classifica como vitimismo qualquer voz que se erga contra uma injustiça vai contra a natureza humana. Nós sofremos, nos magoamos quando somos ofendidos ou criamos expectativas irreais sobre algo ou alguém. Pessoas abusam de outras, exploram, enganam e ferem os sentimentos a todo momento. Existem sim algozes e cristos, papéis que pessoas assumem na vida e que é natural da consciência humana.

    Mas devemos sempre lembrar que, primeiro, estamos aqui para isso mesmo. Aprender, crescer e resgatar. Não viemos aqui para sermos felizes, embora a felicidade seja parte do despertar espiritual que constitui a nossa missão. Depois, é essencial perceber que o sofrimento faz parte do processo de cura e que se esconder das emoções nunca é um bom caminho. Nessa ditadura da felicidade atual, parece que está proibido sofrer. Mas não está.

    Também é de igual importância considerar que o sofrimento deve ter um prazo de validade e que, quanto mais tempo focamos nele, mais ele se torna uma prisão. A eterna vítima passou por esse processo, ou seja, ela cristalizou o sofrimento e não consegue ultrapassar esse ponto, apesar da vida ter caminhado para longe dele. A vítima quando se empodera e percebe que agora ela está ainda mais forte, é que ela consegue abandonar o sofrimento e superar aquele obstáculo. Por isso, é preciso equilíbrio: nem sufoque suas emoções nem fique preso tempo demais a dor. Passe pelo processo emocional, respeite seus limites e use a resiliência para abrir seus olhos para as lições que o sofrimento oferece.


Saiba mais :

Guta Monteiro Guta Monteiro

Apaixonada por filosofia e literatura, é formada em publicidade e estuda espiritualidade desde criança. Buscadora incansável dos mistérios da vida, adora compartilhar ideias sobre Deus e as forças que movem o universo, para ajudar no seu próprio despertar e no encontro com poder divino que existe em nós. Usa a espiritualidade para crescer e ajudar a crescer aos demais e sonha com um mundo feito de igualdade, fraternidade, liberdade e amor.