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Meu Credo: a religião de Albert Einstein

Meu Credo: a religião de Albert Einstein

Albert Einstein foi, sem dúvidas, uma das figuras mais icônicas, enigmáticas e surpreendentes não somente de seu tempo, mas de toda a história da humanidade. Seu legado influenciou diretamente o destino de todo o mundo, sendo graças a ele que a humanidade foi capaz de chegar até aqui. A vastidão do que Albert Einstein deixou entre seus ensinamentos é de tão impressionante magnitude que, como se não bastasse todo o estudo e teorias que descobriu e comprovou sobre o funcionamento do universo - hoje essenciais para o progresso da humanidade -, é possível encontrar ainda uma série de materiais deixados por ele e que até hoje não foram completamente desvendados.

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Recentemente, tivemos o caso das ondas gravitacionais que somente agora puderam ter sua existência comprovada graças ao auxílio dos mais modernos e afinados equipamentos da ciência atual, ainda que já tivessem sido previstas por Albert Einstein há mais de 60 anos.

Meu Credo: a religião de Einstein


Fonte: hypescience.com

Imagem: Hypescience

Ainda em dias contemporâneos, o Projeto Einstein Digital anunciou que cerca de 80 mil documentos deixados pelo físico estão em processo de digitalização para que possam então ser disponibilizados ao público. Dentre eles, um exemplar ganha imenso destaque, sendo este chamado de “Credo de Einstein”. O texto em questão foi escrito por Albert em meados de Agosto de 1932 na região de Caputh, Alemanha. Em seu conteúdo, estão descritas algumas de suas ideologias e preceitos pessoais, profissionais e espirituais durante seus últimos anos em Berlim. O texto original havia sido confiado a Konrad Wachsmann, que na época era arquiteto da sua casa de verão.

Ainda no mesmo ano, Einstein declarou o texto em sua própria voz para a Liga Alemã de Direitos Humanos, ficando assim essa leitura gravada entre exemplares de discos de vinil, dos quais restaram apenas dez versões originais em todo o mundo. A seguir, conheça e tire suas conclusões acerca do profundo refletir de uma figura histórica e enigmática, em sua versão traduzida e disponibilizada pelo acervo de arquivos Albert Einstein da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel.

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“Meu Credo

É uma bênção especial pertencer entre aqueles que podem dedicar suas melhores energias para a contemplação e exploração de coisas objetivas e atemporais. Quão feliz e grato eu sou por ter recebido essa bênção, que dá um grande grau de independência em relação ao destino pessoal de alguém e a atitude de seus contemporâneos. No entanto, essa independência não deve nos habituar à consciência dos deveres que constantemente nos prendem ao passado, presente e futuro da humanidade em geral. Nossa situação na terra parece estranha. Cada um de nós aparece aqui, involuntariamente e sem ser convidado, para uma estadia curta, sem saber o porquê e para quê. Em nossa vida diária sentimos apenas que o homem está aqui para o bem dos outros, para aqueles a quem amamos e por muitos outros seres cujo destino está ligado com o nosso. Muitas vezes me perturba a ideia de que a minha vida é baseada em grande parte no trabalho dos meus companheiros seres humanos, e estou ciente da minha grande dívida para com eles.
 Eu não acredito no livre-arbítrio. Palavras de Schopenhauer: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”, me acompanham em todas as situações ao longo de minha vida e me reconciliam com as ações dos outros, mesmo que elas sejam bastante dolorosas para mim. Esta consciência da falta de livre arbítrio me impede de levar a mim mesmo e aos meus colegas muito a sério como indivíduos de ação e decisão, e de perder o meu temperamento. Eu nunca cobicei riqueza e luxo e até mesmo os desprezo de certa forma. Minha paixão pela justiça social muitas vezes me levou a um conflito com as pessoas, assim como a minha aversão a qualquer obrigação e dependência que eu não considero absolutamente necessárias. Eu tenho um grande respeito pelo indivíduo e uma aversão insuperável pela violência e o fanatismo. Todos estes motivos me fizeram um pacifista apaixonado e antimilitarista. Sou contra qualquer chauvinismo, mesmo sob o disfarce de mero patriotismo.

Privilégios com base na posição e propriedade sempre me pareceram injustos e perniciosos, assim como qualquer culto exagerado à personalidade. Eu sou um adepto do ideal da democracia, embora eu saiba bem as fraquezas da forma democrática de governo. A igualdade social e a proteção econômica do indivíduo sempre me pareceram os objetivos comuns importantes do estado. Embora eu seja um solitário típico na vida diária, a minha consciência de pertencer à comunidade invisível daqueles que lutam pela verdade, beleza e justiça me impede de me sentir isolado. A experiência mais bela e mais profunda que um homem pode ter é o sentido do mistério. É o princípio fundamental da religião, bem como de todo esforço sério na arte e na ciência. Aquele que nunca teve essa experiência parece-me que, se não está morto, então, está pelo menos cego.

Perceber que por trás de tudo o que pode ser experimentado há uma coisa que a nossa mente não pode compreender, cuja beleza e magnificência nos alcança apenas indiretamente: isso é religiosidade. Neste sentido, sou religioso. Para mim, basta questionar estes segredos e tentar humildemente entender com a minha mente uma mera imagem da estrutura elevada de tudo que existe”.

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